Translate

Pesquisar

sábado, 21 de outubro de 2017

Catecismo de São Pio X: Da Oração - CAPÍTULO I Da oração em geral




Segunda Parte
Da Oração


Capítulo I

Da oração em geral


252) De que trata a segunda parte da Doutrina Cristã?
A segunda parte da Doutrina Cristã trata da oração em geral, e do Padre-Nosso em particular.


253) Que é a oração?
A oração é uma elevação da alma a Deus, para adora-Lo, para Lhe dar graças e para Lhe pedir aquilo de que precisamos.


254) Como se divide a oração?
A oração divide-se em mental e vocal. Oração mental é a que se faz só com a alma; oração vocal a que se faz com as palavras acompanhadas da atenção do espírito e da devoção do coração.


255) Pode dividir-se de outra maneira a oração?
A oração pode também dividir-se em particular e pública.


256) Que é a oração particular?
A oração particular é a que faz cada um em particular, por si ou pelos outros.


257) Que é a oração pública?
A oração pública é a que fazem osministros sagrados, em nome da Igreja, e pela salvação do povo fiel. Pode-se chamar pública também a oração feita em comum e publicamente pelos fiéis, como nas procissões, nas peregrinações e na Igreja.


258) Temos nós esperança fundamentada de obter por meio da oração os auxílios e graças de que necessitamos?
A esperança de obter de Deus as graças de que necessitamos, é fundamentada nas promessas de Deus onipotente, muito misericordioso e fidelíssimo, e nos merecimentos de Jesus Cristo.


259) Em nome de quem devemos pedir a Deus as graças de que necessitamos?
Devemos pedir a Deus as graças de que necessitamos, em nome de Jesus Cristo, como Elemesmo nosensinou e como pratica a Igreja, a qual termina sempre as suasorações com estas palavras: per Dorninum nostrum Jesurn Christurn, que quer dizer: por Nosso Senhor Jesus Cristo.


260) Por que devemos pedir a Deus as graças em nome de Jesus Cristo?
Devemos pedir as graças em nome de JesusCristo, porque, sendo Ele o nosso mediador, só por meio dEle podemos aproximar-nos do trono de Deus.


261) Se a oração tem tanta eficácia, como é que tantas vezes não são atendidas as nossas orações?
Muitas vezesasnossas oraçõesnão são atendidas, ou porque pedimos coisas que não convêm à nossa eterna salvação, ou porque não pedimos como deveríamos.


262) Quais são as coisas que principalmente devemos pedir a Deus?
Devemos principalmente pedir a Deusa sua glória, a nossa salvação e osmeiospara consegui-la.


263) Não é também lícito pedir bens temporais?
Sim, é também lícito pedir a Deus os bens temporais, sempre com a condição de que sejam conformes à sua santíssima vontade, e não sejam obstáculo à nossa eterna salvação.


264) Se Deus sabe tudo aquilo de que necessitamos, por que devemos rezar?
Embora Deus saiba tudo aquilo de que necessitamos , quer todavia que nós Lho peçamos, para reconhecermos que é Ele que dá todos os bens, para Lhe testemunharmos a nossa humilde submissão, e para merecermos os seus favores.


265) Qual é a primeira e a melhor disposição para tornar eficazes as nossas orações?
A primeira e a melhor disposição, para tornar eficazes as nossas orações, é estar em estado de graça, ou, não o estando, ao menos desejar recuperar esse estado.


266) Que mais disposições se requerem para bem orar?
Para bem orar requerem-se especialmente o recolhimento, a humildade, a confiança, a perseverança e a resignação.


267) Que quer dizer orar com recolhimento?
Quer dizer: pensar que estamos a falar com Deus; e por isso devemos orar com todo o respeito e a devoção possíveis, evitando, quanto for possível, as distrações, isto é, todo o pensamento estranho à oração.


268) Diminuem as distrações o merecimento da oração?
Sim, quando nósmesmos as provocamos, ou não as repelimos com diligência. Se porém fizermos quanto podemos para estarmos recolhidos em Deus, então as distrações não diminuem o merecimento da nossa oração, mas até o podem aumentar.


269) Que se requer para fazermos oração com recolhimento? 
Devemos antes da oração afastar todas as ocasiões de distração, e durante a oração devemos pensar que estamos na presença de Deus, que nos vê e nos ouve.


270) Que quer dizer orar com humildade?
Quer dizer: reconhecer sinceramente a nossa indignidade, incapacidade e miséria, acompanhando a oração com a compostura do corpo.


271) Que quer dizer orar com confiança?
Quer dizer que devemos ter firme esperança de sermos atendidos, se daí provier a glória de Deus e o nosso verdadeiro bem.


272) Que quer dizer orar com perseverança?
Quer dizer que não nos devemos cansar de orar, se Deus não nos atender imediatamente, senão que devemos continuar a orar ainda com mais fervor.


273) Que quer dizer orar com resignação?
Quer dizer que nos devemos conformar com a vontade de Deus, que conhecemelhor do que nós quanto nos é necessário para a nossa salvação eterna, ainda mesmo no caso em que as nossas orações não fossem atendidas.


274) Atende Deus sempre as orações bem feitas?
Sim, Deus atende sempre as orações bem feitas; mas da maneira que Ele sabe ser mais útil para a nossa salvação eterna, e não sempre segundo a nossa vontade.


275) Que efeitos produz em nós a oração?
A oração faz-nos reconhecer a nossa dependência, em todas as coisas, deDeus, supremo Senhor, faz-nos progredir na virtude, alcança-nos de Deusmisericórdia fortalecenos contra as tentações, conforta-nos nas tribulações, auxilia-nos nas nossas necessidades e alcança-nos a graça da perseverança final.


276) Quando devemos especialmente orar?
Devemos orar especialmente nos perigos, nas tentações e no momento da morte; além disso, devemos orar freqüenternente, e é bom que o façamos pela manhã e à noite, e no princípio das ações importantes do dia.


277) Por quem devemos orar?
Devemos orar por todos; isto é, por nósmesmos pelos nossos parentes, superiores, benfeitores, amigos e inimigos; pela conversão dos pobres pecadores, daqueles que estão fora da verdadeira Igreja, e pelas benditas almas do Purgatório.


SÃO PIO X. Catecismo Maior de São Pio X. Edições São Tomás, 2010. Rio de Janeiro: Permanência, 1905.

sábado, 14 de outubro de 2017

Catecismo de São Pio X: Do Símbolo dos Apóstolos - CAPÍTULO XIII Do duodécimo artigo do Credo




Primeira Parte
Do Símbolo dos Apóstolos, chamado vulgarmente o "Credo".


Capítulo XIII

Do duodécimo artigo do "Credo" 


245) Que nos ensina o último artigo do Credo: na vida eterna?
O último artigo do Credo ensina-nos que depois da vida presente há outra, ou eternamente feliz para os eleitos no Paraíso, ou eternamente desgraçada para os condenados no Inferno.


246) Podemos compreender a felicidade do Paraíso?
Não. Não podemos compreender a felicidade do Paraíso, porque excede os conhecimentosda nossa inteligência limitada, e porque osbensao Céu não podem comparar-se aos bens deste mundo.


247) Em que consiste a felicidade dos eleitos?
A felicidade dos eleitos consiste em ver, amar e possuir para sempre a Deus, fonte de todo o bem.


248) Em que consiste a desgraça dos condenados?
A desgraça dos condenados consiste em serem para sempre privados da vista de Deus, e punidos com tormentos eternos no Inferno.


249) Por agora são só para as almas os bens do Paraíso e os males do Inferno?
Os bens do Paraíso e osmales do Inferno, por agora, são só para as almas porque por enquanto só as almas estão no Paraíso, ou no Inferno; mas depois da ressurreição da carne, os homens, ria plenitude da sua natureza, isto é, em corpo e alma, serão ou felizes ou infelizes para sempre.


250) Serão iguais Para os eleitos os bens do Paraíso, e para os condenados osmales do
Inferno?
Osbensdo Paraíso para oseleitos, e osmalesdo Inferno para os condenados, serão iguais na substância e na duração eterna; mas na medida, isto é, no grau, serão maiores ou menores, segundo os méritos ou deméritos de cada um.


251) Que quer dizer a palavra Amém no fim do Credo?
A palavra Amém no fim das orações significa: assim seja; no fim do Credo significa: assim é, que quer dizer: creio que é absolutamente verdadeiro tudo o que nestes doze artigos se contém, e estou mais certo disso do que se o visse com os meus olhos.



SÃO PIO X. Catecismo Maior de São Pio X. Edições São Tomás, 2010. Rio de Janeiro: Permanência, 1905.

sábado, 7 de outubro de 2017

Catecismo de São Pio X: Do Símbolo dos Apóstolos - CAPÍTULO XII Do undécimo artigo do Credo




Primeira Parte
Do Símbolo dos Apóstolos, chamado vulgarmente o "Credo".


Capítulo XII

Do undécimo artigo do "Credo" 


238) Que nos ensina o undécimo artigo do Credo: na ressurreição da carne?
O undécimo artigo do Credo ensina-nos que todos os homens hão de ressuscitar, retomando cada alma o corpo que teve nesta vida.


239) Como se fará a ressurreição dos mortos?
A ressurreição dos mortos realizar-se-á por virtude de Deus Onipotente, a Quem nada é impossível.


240) Quando será a ressurreição dos mortos?
A ressurreição de todos os mortos será no fim do inundo, e depois seguir-se-á o Juízo universal.


241) Por que quer Deus a ressurreição dos corpos?
Deus quer a ressurreição dos corpos para que a nossa alma, tendo feito o bem ou o final unida ao corpo, receba juntamente com ele o prêmio ou o castigo.


242) Ressuscitarão os homens, todos da mesma maneira?
Não. Haverá enorme diferença entre os corpos dos eleitos e os corpos dos condenados; porque somente os corpos dos eleitos terão, à semelhança de JesusCristo ressuscitado, os dotes dos corpos gloriosos.


243) Quais são estes dotes que adornarão os corpos dos bem-aventurados?
Os dotes que adornarão os corpos gloriosos dos bem-aventurados são:
1o a impassibilidade, pela qual eles não mais poderão estar sujeitos a males, nem dores de espécie alguma, nem às necessidades de alimento, de repouso e de qualquer outra
coisa;
2o a claridade, pela qual eles resplandecerão como o sol e as estrelas;
3o a agilidade, pela qual eles poderão passar num momento sem fadiga, de um lugar para outro e da terra ao Céu;
4o a sutileza, pela qual elespoderão, sem obstáculo, passar atravésde qualquer corpo, como fez Jesus Cristo ressuscitado.


244) Como serão os corpos dos condenados?
Os corpos dos condenados serão destituídos dos dotes dos corpos gloriosos dos bem-aventurados, e trarão o horrível estigma da reprovação eterna.


SÃO PIO X. Catecismo Maior de São Pio X. Edições São Tomás, 2010. Rio de Janeiro: Permanência, 1905.