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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Reencarnação Espírita - Pura Fantasia



METAPSÍQUICA
E
ESPIRITISMO

F. M. Palmés, S.J.
Decano e Professor de Psicologia na Faculdade Filosófica da Companhia de Jesus em San Cugat del Vallés (Barcelona).

Diretor Geral de “Balmesiana”, Codiretor de “Pensamento”
Editora Vozes Limitada - 1957

A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO É UMA PURA FANTASIA DESTITUÍDA DE TODA PROVA


Capítulo XXXVI


Apesar de não ser aceita de bom grado por todos os espíritas, contudo a doutrina da reencarnação é uma das mais frequentes entre eles, principalmente entre os franceses, e conseguintemente entre os espanhóis e os da América Latina, que mais ou menos se inspiraram sempre nos dogmas do Espiritismo francês e aprenderam as doutrinas deste nas obras de Allan Kardec. Este se declara partidário decidido da reencarnação, a qual é por ele proposta como um dogma revelado pelos espíritos. Como se fossem necessárias revelações para se vir ao conhecimento de uma doutrina que, antes de o Espiritismo aparecer no mundo, já fora professada por povos em massa, principalmente antes do aparecimento do Cristianismo! Mas, embora esta doutrina não seja original, nem exclusiva e característica do Espiritismo, nem seja professada por todos os espíritas, não parece tarefa inútil dedicarmos ao estudo dela o presente Capítulo e o seguinte, demonstrando ser ela uma doutrina não somente arbitrária, por carecer de toda espécie de provas, como também contrária à razão e, em si mesma, absurda.

A doutrina da reencarnação não se demonstra.

E, antes de tudo, quais são os argumentos em que se apóia a crença nessa peregrinação contínua, ou ao menos muito porlongada, das almas através de muitos corpos? Desse tornar a submergir-se em organismos materiais depois de os haver abandonado por força da morte? De qualquer maneira que seja proposta, esta asserção é tão estupenda e tão exorbitante, e toca-nos tão de perto, que temos direito a que nos digam quais as razões em que ela se apóia; razões que, aliás, deveriam ser não já meras conjecturas, porém argumentos apodícticos, aos quais nada pudesse racionalmente resistir.


Não obstante, quem folhear as revistas e os folhetos de propaganda da seita ou das seitas que expõem como certas semelhantes fantasias, encontrará, sim, muitas afirmações, lerá a asserção frequente de que tal espírito se reencarnou em tal lugar, que tal indivíduo em outra existência foi tal outro, e quejandas, as quais servem maravilhosamente para excitar as fantasias exaltadas e o interesse mórbido de mentalidade que ofereceriam magnífica ocasião para ser estudadas pelos psiquiatras e alienistas; porém argumentos de razão, fatos bem comprovados, nem sequer provavelmente comprovados, isto não é possível descobrir em nenhuma parte.

Faltam argumentos experimentais.

E a primeira coisa que falta é a demonstração experimental, que temos o direito de exigir, dados os alardes de ciência por parte do Espiritismo, e frequentes e contínuos como seriam os fatos se fossem verdadeiros. Porque, se fosse verdadeira a doutrina da reencarnação, todos os seres humanos que atualmente vivem na terra, todos os que nela viveram desde que no mundo existe a doutrina reencarnacionista, seriam espíritos reencarnados. E, entre tantos seres reencarnados, será possível não haja muitas mais provas da reencarnação do que os casos afirmados pelos espíritas? Mas, afinal de contas, se ao menos se tivesse podido demonstrar esses poucos casos aduzidos pelos espíritas, menos mal; mas, infelizmente para eles, não há sequer um só que tenha sido cientificamente comprovado. Porquanto esta comprovação ter-se-ia feito ou pelo testemunho dos pretendidos espíritos que se comunicam pela intervenção dos médiuns e por meio dos quais viríamos ao conhecimento do fato da reencarnação, como pretende tê-lo sabido Allan Kardec; ou pelo testemunho de homens deste mundo que nos assegurariam já ter vivido antes com outros corpos, como também nos diriam as circunstâncias de suas passadas existências. Não parece que haja outro caminho para vir ao conhecimento do fato da reencarnação, dado que ele seja real.

Não se prova pela experiência dos mortos.

Pois bem: pelo que se refere ao primeiro desse pontos, o leitor já sabe o caso que deve fazer das pretensas comunicações dos espíritos através dos médiuns. Porque, de um lado, estes testemunhos são entre si contraditórios com relação não só aos pormenores como também à realidade da reencarnação, como acabamos de expor no Capítulo anterior; e, de outro lado, para que eles tivessem algum valor seria mister soubéssemos de quem são, isto é, seria mister que a chamada “identificação espírita” fosse um fato cientificamente comprovado, coisa que, como demonstramos nos Capítulos XXV, XXVI e XXVII deste livro, ela não foi até o presente, nem leva caminho de o ser jamais.

Nem se prova pela existência dos vivos.

Porém muito menos pode provar-se experimentalmente por meio do testemunho dos homens atualmente viventes. Porque, se perguntardes a qualquer homem, mesmo espírita, que experiência ele tem daquilo que ele foi em existências anteriores, e quais foram essas existências e as vicissitudes por que ele passou, se for sincero, se não estiver louco, necessariamente ele vos dirá que o ignora por completo. Ninguém tem a menor experiência daquilo que foi em outra existência. Como há de, pois, ser possível formular um argumento experimental à base do testemunho de nenhum dos seres viventes neste mundo? Não se nos oculta não faltar que, mentindo descaradamente, ou alucinado pela sua imaginação impregnada das fantasias das doutrinas espíritas, pretenda recordar-se de alguma coisa do que foi nas suas existências passadas. Porém estes testemunhos sem provas quaisquer, sem fatos com que os controlar, que podem valer perante qualquer homem de bom-senso que não tenha perdido todo o senso crítico? Tanto assim é que até os próprios espíritas exigem, ao menos de palavra, algum gênero de prova; mas não se sabe que jamais a tenham conseguido. Porque, ou elas são em si mesmas completamente impossíveis, como acontece em não poucos casos; ou então, no caso de serem possíveis, não foram levadas a efeito com o menor senso crítico, ou então deram resultados inteiramente contraproducentes, e bastantes, por si mesmos, para desacreditar todo intento de demonstração. Consideradas em si mesmas, essas provas são inteiramente impossíveis quando aquele que afirma ter vivido em outra existência diz haver sido nela um personagem, vulgar ou importante, mas desconhecido pela história; porque neste caso, por hipótese, faltam documentos para a comprovação do testemunho. Tal seria, por exemplo, o caso de quem dissesse, como o dizia Hipólito Denizart-Rivail, que noutra existência fora um sacerdote drúida chamado Allan Kardec; ou o de quem pretendesse, por exemplo, ter sido ama de leite de um sultão de Túnis que viveu na Idade Média, ou palafreneiro de Alexandre Magno. E, nos casos em que essa comprovação resultasse, de algum modo, possível, por se tratar de personagens históricos, como são aqueles casos em que a pessoa afirma ter sido em outra existência Napoleão, Carlos Magno, Aristóteles, de fato já sabemos os resultados que deram semelhantes comprovações, que não têm mais garantias do que as pretendidas “identificações espíritas”. Porquanto, nestes casos, como ficou demonstrado nos Capítulos antes citados, aquele que afirma tamanha baboseira dá como provas somente os conhecimentos que pode adquirir, na existência atual, do personagem pretérito; conhecimentos  que quase sempre são aduzidos com tanta imprecisão e vagueza, e com tantos anacronismos e impropriedades, que não há ninguém  que possa tomar a sério semelhantes intentos de demonstração. O fracasso destes evidencia-se no fato de que, apesar de se haverem reencarnado tantos sábios pretéritos, tantos homens ilustres que intervieram ativamente em acontecimentos do seu tempo que são enigmas para a história, tantos artistas e tantos sábios que levaram  consigo para o túmulo o segredo dos seus inventos e processos para a obtenção de resultados que agora nos seria sumamente útil conhecer, apesar disso não tenha havido um só caso que esse personagens que se dizem reencarnados tenham revelado à humanidade presente o que tanto se deseja saber e que tão útil seria averiguar.

Dir-se-á que isso se explica perfeitamente pelo fato de, ao se reencarnarem perderem os espíritos absolutamente a lembrança dos conhecimentos que tiveram em suas existências passadas. Que eles não os têm é muito verdade; mas não o é que os hajam perdido, porque não se perde aquilo que se não teve; e é isto precisamente o que antes de tudo se trata de provar, e não se prova, a saber: que eles os tiveram em outra existência.

Mui significativa é esta falta de memória daquilo que lhes teria acontecido em anteriores existências. À base dela havemos de formular contra a reencarnação um argumento que não tem réplica. Mas antes vejamos se porventura, na ordem filosófica, a doutrina da reencarnação tem algumas razões em que se fundar, já que a sua argumentação experimental é tão pobre e insuficiente como acabamos de ver.

Intentos de demonstração filosófica da doutrina reencarnacionista.

Não há dúvida de que não só os espíritas, como também os reencarnacionistas em geral, pretendem aduzir razões em favor da sua doutrina, mas estas são em si mesmas tão fúteis que quase não valeria a pena mencioná-las. Há-as de ordem que poderíamos chamar moral, e há-as também de ordem física ou psicológica; e todas elas se reduzem à pretensão de que, para explicar certos fatos, seria preciso recorrer à hipótese da reencarnação. A insuficiência destas razões é claríssima para quem quer que discorra serenamente; porque nem comumente é verdade que na hipótese da reencarnação se encontre uma explicação dos fatos mencionados, a não ser dando de mão àquilo que sabemos com certeza pela ciência moral ou psicológica; e nem tampouco, mesmo que a hipótese reencarnacionista pudesse dar dos referidos fatos alguma explicação, seria este um título suficiente para impô-la logicamente, enquanto, além disso, não se demonstrar não existirem hipóteses melhores e mais coerentes com as doutrinas e fatos cientificamente demonstrados.

Argumentos filosóficos de ordem moral em favor da reencarnação.

Entre os argumentos que se aduzem de ordem moral, os principais são os que se fundam no fato evidentíssimo da desigual sorte que os homens têm neste mundo, pela desigual repartição de dotes e bens naturais; e no fato, não menos evidente, das diferenças que se observam na conduta moral deles, pois os há bons e perfeitos, e também os há criminosos, viciosos e perversos. O fato é certíssimo; mas que tem este fato a ver com a hipótese da reencarnação? Segundo os espíritas, muito teria a ver, porque, dada a hipótese da reencarnação, essas diferenças podem ser atribuídas aos méritos granjeados em existências anteriores, e assim cada um e em cada existência iria, com suas obras, construindo aquilo que ele haveria de ser depois da sua morte, numa nova vida corporal. De onde resultaria que o fato da desigual distribuição de bens de toda espécie, a qual de outra sorte deveria ser atribuída a Deus com menoscabo da sua justiça, explicar-se-ia perfeitamente pela ação da cada homem, que em cada existência lavraria a sua felicidade ou infelicidade para uma vida posterior. Eis aí, em substância e brevemente exposto, o argumento que os espíritas intentam formular, partindo do fato das diversidades existentes entre os homens quanto às suas qualidades tanto físicas como morais. A inconsistência deste argumento, e a sua falta de valor lógico, é evidente. Porquanto, dado que esta hipótese explique o fato das diversidades dos homens, acaso será esta a única hipótese capaz de explicá-los? Evidentemente que não, a não ser que se diga jamais ter existido outra filosofia que a dos que professam a doutrina da reencarnação, e que a Filosofia cristã é incapaz de explicar o fato mencionado. Porém a doutrina reencarnacionista não só não é a única hipótese, nem mesmo a melhor, como também é uma suposição absurda, e portanto incapaz de explicar o quer que seja. Com efeito, a primeira coisa que se necessita para a admissão de uma hipótese é não ser ela absurda. Que a hipótese em questão é absurda e impossível, demonstrá-lo-ermos depois; aqui, contentemo-nos com fazer ver que, mesmo prescindindo de ser ela absurda, ela não é a única, nem sequer a mais satisfatória, como deveria sê-lo para que logicamente se impusesse ao filósofo.

A reencarnação não é a única hipótese para explicar o fato das diversidades dos homens.

Que, para explicar as diversidades que se notam entre os homens, não há necessidade nenhuma de recorrer à hipótese da reencarnação, ou, o que dá no mesmo, que esta explicação não é a única que de tais diversidades relativas às qualidades corporais e psicofisiológicas dos homens podem muito bem, e certamente com maior facilidade e de modo mais conforme com o que nos dizem as ciências biológicas modernas, explicar-se pela herança fisiológica; e as de ordem moral, consistentes na diversa conduta boa ou má, e nas virtudes ou vícios, explicam-se também de maneria mais natural e mais satisfatória pelo exercício do livre arbítrio de cada homem, que, por meio dele e unicamente por meio dele, é capaz de exercer domínio psicológico sobre as próprias atividades, e, portanto, de escolher entre o bem e o mal moral, de empreender uma vida virtuosa ou criminosa, contraindo a responsabilidade, o mérito ou o demérito, consequente às suas livres determinações. Nem se diga que desta doutrina, que é a da Filosofia cristã, se segue algo que seja, no mais mínimo, contrário à justiça e à bondade de Deus. Porque , sejam quais forem os seus bens e males físicos e as suas qualidades de ordem fisiológica ou psicológica, quer sejam excelentes, quer sejam minguadas, todo homem pode sempre e em qualquer caso chegar a alcançar a sua felicidade eterna para a qual foi por Deus criado. Deus quer seriamente levar todos os homens à suprema perfeição e felicidade; e, para esse fim, dá a todos e a cada um dos homens os meios e auxílios que eles necessitam para alcançá-la. E, conquanto, nos imperscrutáveis desígnios da sua providência santíssima, Ele não dê esses meios a todos em igual medida e abundância, ninguém pode com razão queixar-se d'Ele nem o ter por injusto; porque aquele que a todos dá suficientemente e, em qualquer caso, tudo quanto eles necessitam, e mais do que em justiça e pelos seus méritos podem eles exigir, nunca comete injustiça alguma dando mais a uns do que a outros. Se, pois, o homem incorre na maldade e se perde, só a si mesmo, e não a Deus, pode imputar a sua desgraça; e na sua mão está, com a graça de Deus e enquanto viver neste mundo, o pôr-se em bom caminho. Pois Deus respeita a liberdade do homem mesmo para o levar à suprema felicidade.

A hipótese da reencarnação não é, pois, a única a poder-se alegar para explicar a diversa maneira de ser dos homens sob o ponto de vista físico ou moral. Que essa também não é a melhor hipótese, isto se segue evidentemente dos argumentos com que, nos Capítulos XXXVIII e XXXIX, havemos de demonstrar a impossibilidade de o aperfeiçoamento da vida presente provir da conduta moral e segue-se também do que depois diremos diretamente contra a física que em favor dela propõem os reencarnacionistas. São, pois, ineficazes para provar a reencarnação os argumentos de ordem moral aduzidos.

Os argumentos filosóficos de ordem física em favor da reencarnação também são ineficazes.

Menos ineficazes, não são, porém, os argumentos que chamamos de ordem física ou psicológica. A estes podem reduzir-se os que os reencarncionistas formulam quando recorrem à pretensa existência de ideias inatas, e quando aduzem os casos de precocidade psicológica que de vez em quando se observam nos chamados meninos-prodígios. No tocante ao primeiro destes argumentos, o fato em que ele pretende fundar-se não se demonstrou até agora; antes, demonstra-se com certeza que no homem não ocorrem de fato ideias inatas, seja lá o que for da questão da sua possibilidade, que não temos empenho nenhum em negar. A experiência quotidiana credencia, sim que no homem, já desde os seus tenros anos, existe uma ideia de Deus causa suprema, e a ideia de moralidade consequentemente à ideia de Deus. Mas é absurdo confundir a facilidade para a aquisição de certas ideias, com as próprias ideias; as quais, se facilmente surgem na alma da criança e do homem, nela jamais brotam senão partindo dos conhecimentos experimentais dos sentidos. Agora, tal como em tempos de Aristóteles, é uma verdade claramente demonstrada que nada há no entendimento que de algum modo não tenha entrado pelos sentidos, isto é, que não seja devido a uma elaboração intelectual feita sobre elementos de conhecimentos subministrados pela experiência sensível. Não vamos entrar aqui na demonstração desta tese, que o leitor pode ver exposta e provada em qualquer manual de Filosofia cristã; nem seria conveniente alongarmo-nos aqui mais sobre este ponto, que já expusemos suficientemente em outras publicações. Porque, mesmo dado, mas não concedido, que se verificassem ideias inatas, daí ainda não se seguiria que essas ideias houvessem disso adquiridas em outra existência; já que, por uma parte, e como dissemos anteriormente e como nisso insistiremos depois, em nenhum caso ocorre qualquer lembrança de semelhante aquisição; e, por parte, se ocorressem, poderiam as ideias inatas brotar da própria natureza do ser que as tem, mesmo que ele não tenha tido mais do que a existência atual.

Até aqui o tocante ao argumento que se pretende fundar nas supostas ideias inatas. Pois para quem parte da existência de meninos precoces, como parece terem-no sido, por exemplo, Pascal, Mozart, Rembrandt e tantos outros, por mais maravilhosos que pareçam estes casos de precocidade nada se encontra neles que não possa explicar-se também pela herança fisiológica, juntamente com uma educação acertada. Aduzir estes casos como um argumento em favor da preexistência das almas é coisa que só pode ocorrer a homens que não sabem nada de Psicologia.

Muitos foram já os filósofos escolásticos que admitiram que ao serem criadas por Deus, as almas são todas de uma mesma perfeição; e consequentemente, atribuíam as grandes diversidades de qualidades, talentos e aptidões naturais dos homens à constituição e maneira de ser do organismo que a alma informa e do qual há de ele servir-se como instrumento para se aperfeiçoar na ordem intelectual. Pois, se isto já se admitia na Idade Média, que ignorância não supõe da Psicologia experimental e da Fisiologia modernas o intento de formular à base desses fatos um argumento em favor da preexistência e transmigração das almas?

Não é mister insistirmos mais sobre isto, pois a doutrina daqueles escolásticos sobre este ponto é coisa comumente admitida nos nossos dias por todos os homens de ciência, de vez que nenhum deles põe em dúvida que não só as diversas aptidões e a própria inteligência, mas também a maneira de ser de cada um, o seu caráter e fisionomia mental, dependem principalmente, senão totalmente, das propriedades do organismo, e principalmente dos seus sistemas nervosos e humoral, que todo homem recebe hereditariamente por via de geração.

Tais são as principais razões que se costuma aduzir em favor da doutrina da reencarnação em geral. Não cremos tenham elas por si sós a menor eficácia para convencer quem quer que seja de uma doutrina tão fantástica, mesmo que nada tivéssemos a alegar contra ela.


Mas, afortunadamente, são muitos, e muitos eficazes, os argumentos que contra esta doutrina podem ser formulados, mesmo prescindindo dos de ordem teológica, que, embora sejam de todo convincentes, nos propusemos não aduzir aqui, para circunscrever o nosso estudo à ciência positiva e filosófica puramente racional. Exporemos alguns desse argumentos filósoficos no Capítulo seguinte.

Fonte: Excerptos ou Fragmentos


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Pecados Capitais



A. Boulenger

(Doutrina Católica – Manual de Instrução Religiosa – 2ª Parte - Moral)


Vocábulos


1º. Pecados capitais. 1º. O termo pecado tem, nesta lição, duplo sentido. Significa: a) vício, quando se consideram a soberba, a avareza, a luxúria, etc., como maus hábitos que levam ao pecado; b) pecado atual, quando se trata de um ato transitório, seja ele causado por uma disposição habitual ou não. Assim muitos cometerão o pecado de orgulho, sem ter o vício de soberba.



2º. Capitais (do latim "caput": cabeça, fonte). De acordo com a própria etimologia da palavra, esses pecados tem tal nome: a) porque podem ser pecados gravíssimos, dignos da pena de morte; b) porque, nos primeiros séculos da Igreja, eram equiparados a outros muito graves, como a idolatria, o homicídio, o adultério, e condenados a uma penitência pública; c) porque são origem, fonte de vários outros, ainda que não sejam necessariamente e sempre, pecados mortais.



PECADOS CAPITAIS



Há sete pecados, ou vícios, que podem ser tidos como graves, quer quanto à sua natureza, quer quanto às suas conseqüências. Estes sete pecados capitais são: 1) Soberba; 2) Avareza; 3) Luxúria; 4) Inveja; 5) Gula; 6) Ira; e 7) Preguiça. Alguns: soberba, avareza, inveja, ira e preguiça, quando desídia do intelecto, são mais especialmente pecados do espírito. A luxúria e a gula, pelo contrário, são pecados do corpo.



1. SOBERBA



1º. Natureza. Soberba é a estima excessiva da própria pessoa. Manifesta-se principalmente de três maneiras:



a) o soberbo mostra-se ufano das qualidades que tem, não se lembra que deve por elas dar glória a Deus: "Que tens tu, diz São Paulo, sem o teres recebido? E se o recebeste, como é que te glorias, como se aquilo fosse teu?" (I Cor IV, 7);

b) atribui-se dotes que não possui;

c)rebaixa as vantagens dos outros. É parecido com o fariseu que coteja suas virtudes com os senões do próximo.


2º. Derivadas da soberba. A soberba produz a ambição, a presunção, e a vanglória.



A. Ambição é o desejo descomedido de glória, honras, fortuna, poder, etc. o ambicioso anda atrás das posições de destaque e das dignidades. "Apreciam o primeiro lugar nos banquetes, os assentos mais elevados nas sinagogas" (Mt XXIII, 6) diz Nosso Senhor, falando dos Escribas e dos Fariseus.


B. Presunção é demasiada confiança em si próprio. Presunção e ambição não raro andam a par. O presunçoso exagera seus talentos, julga-se preparadíssimo para qualquer encargo. E trata de meter-se em negócios e empregos altos, para os quais lhe falecem habilidades e competência.


C. Vanglória é a mania de se envaidecer por predicados, mais brilhantes e espalhafatosos, do que reais e sólidos; de colher louvores, e pasmar os circunstantes, quanto não há motivo para tanto. Este gaba-se de uma estirpe nobre, de linhagem ilustre; aquele é altaneiro por causa do palacete; este outro, é pela roupa, ou pelo automóvel. Esquecidos, todos, de que se houver glória nisso, não é a eles que deve nimbar (não quer dizer que todo luxo é soberba e impostura. Não é, quando fica em relação natural com a posição que se ocupa na sociedade. Então, justifica-se no ponto de vista hierárquico e econômico. Quem não atendesse às exigências da fortuna que possui cairia no excesso oposto que entra no segundo pecado capital [avareza]).


A vanglória, por sua vez, gera:



a) a jactância. A jactância, a bazófia, ou gabolice está doida pelos elogios. Baba-se por eles, suplica-os. E quando não os consegue logo, vai-se, o sujeito, encomiando a si mesmo. Nas palestras, não deixa os outros falar. Só ele, só dele. Não aprecia os companheiros, nem se importa com eles, e por isso, conta, o que fez e não fez, mandou e desmandou, suas boas obras, virtudes, esmolas (em dois casos é permitido dar a conhecer o bem que se obrou: a) para livrar-se de censura imerecida; b) para instruir e edificar o próximo, como o pratica São Paulo na Epístola aos Gálatas);

b) a hipocrisia é outro fruto espúrio da vanglória. As felicitações que os gabolas se outorgam nos seus alardes palavrosos, o hipócrita quer granjeá-las por seus atos fiteiros, e suas virtudes de aparato. Anda deslembrado dos conselhos de Nosso Senhor: "Tende cuidado em não fazer vossas boas obras para serdes vistos pelos homens ... quando dais esmola, não toqueis trombeta, como costumam os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para que vos honrem os homens’ (Mt VI, 1,2); citemos, ainda, o aferro, a obstinação, a teimosia, três vocábulos mais ou menos sinônimos, exprimindo o apego que se tem ao próprio parecer, não querendo que vingue a opinião dos outros, nem até quando a razão está com eles.



3º. Malícia da soberba. É pecado grave, quando o orgulho quer elevar-se acima de Deus e dos superiores. É tido como fonte de todos os males.



4º. Remédios. Os meios para curar a chaga do orgulho são:

a)um exame atento, demorado, sincero, das nossas misérias, das nossas falhas e fraquezas; da inconsistência dessas coisas que nos envaidecem;

b)a contemplação da humildade de Nosso Senhor, que, sendo Deus, se rebaixou a ponto de revestir-se da humanidade, e sujeitar-se a todas as contingências mais triviais e vis da nossa natureza; depois, a todos os ultrajes.


2. AVAREZA


1º. Natureza. Avareza é o amor desregrado às riquezas. Assume duas modalidades:

a) É avarento o que anda aflito por ganhar mais dinheiro, sempre excogita artes de aumentar seus cabedais, e antes trata os bens como donos do que como servos. A fortuna, para ele, é um fim, e não o meio de prover às necessidades da existência.


b) É avarento mais encontradiço, o que está afeiçoado a seus tesouros. Sovina. Não dá nada. E quando precisa gastar, parece que lhe arrancam um pedaço da alma. A economia é outra coisa. Consiste em regular as despesas pelos rendimentos,: aquelas não excedendo estes. Não é vício. É virtude preciosa, estímulo do trabalho, e mãe da prosperidade. A avareza tanto se aninha no coração do pobre, como no do rico. Avulta, não raro, com a idade. Recrudesce com a velhice.



2º. Efeitos. Da avareza nascem:



a) a injustiça para com o próximo: fraudes, trapaças, roubos;

b) a traição: Judas vendeu seu Mestre por trinta moedas;

c) o empedernir do coração para com os indigentes. O avarento não se compadece da miséria: nunca abre a mão para obsequiar, para dar esmola aos pobres.


3º. Malícia. A avareza pode vir a ser pecado grave:



a) contra Deus: o avarento prefere, com efeito, a tudo, o dinheiro. Adora o ouro. É seu ídolo. Deus não existe mais para ele.

b) contra o próximo: o avarento, certo é que não cumpre o dever de caridade. E este dever, em determinados casos, constitui obrigação imperiosa.



4º. Remédios. Dois remédios podem fazer bem ao avarento:



a) lembre-se amiúde que tudo passa neste mundo; que são perecedouros, frágeis, e de pouquíssimo valor, os bens da terra. Caducam rapidamente. Única riqueza de verdade é amar a Deus.

b) medite nos exemplos de Jesus Cristo. Era riquíssimo, quis nascer, viver e morrer, paupérrimo.




3. LUXÚRIA


Luxúria, ou lascívia, é o vício contrário à pureza, proibido pelo 6º e 9º Mandamentos da Lei de Deus.



I. A pureza. 6º e 9º Mandamentos



1º. Excelência da virtude da pureza. A castidade, ou pureza, consiste na abstenção dos prazeres carnais ilícitos. Nenhuma virtude tem mais valor do que a castidade, porque ela, melhor que as outras, é o domínio do espírito sobre a carne, da alma sobre o corpo. Por isso, não é de estranhar que esta virtude, preceito ou lei natural muito embora, fique sendo como que apanágio e monopólio da religião católica. É a pura verdade afirmar que não a conheceu o mundo pagão, e que, hoje em dia, desabrocha e viceja apenas no ambiente do Catolicismo.




2º. Objeto do 6º e 9º Mandamentos. O 6º e 9º Mandamentos da Lei de Deus proíbem os pecados de luxúria, contrários à virtude da pureza. Única diferença entre os dois, é que o 9º, repetindo o 6º, vai além, reforça a proibição, abarcando a mais os maus pensamentos e maus desejos. Assim, enquanto o 6º Mandamento veda atos, olhares e palavras ofensivas da modéstia cristã, o 9º atalha o mal na própria fonte, e condena o simples pensamento impuro, o simples desejo desonesto: de um lado, pois, os atos exteriores, e do outro, os atos interiores, como sendo, estes, causa daqueles, e comparáveis à fagulha que ateia o incêndio. Na explanação desta matéria, andaremos lembrados, de contínuo, dos prudentes avisos de Santo Afonso de Ligório e São Francisco de Sales, concordes nisso, e ambos com São Paulo, dizendo que não é bom, tocar em termos muito explícitos nestes assuntos, e que já se ofende a castidade, só com o nomear a impureza.


II. O que é proibido pelo sexto Mandamento da Lei de Deus.



O 6º Mandamento da Lei de Deus proíbe:



1º. As más ações. Há certas coisas indecentes que o menino não se atreveria a praticar à vista de seus pais ou de seus mestres, e que desonram e envergonham os autores, quando essas coisas vêm a ser conhecidas. Ora, aquilo, ainda que fique ignorado dos homens, não está escondido aos olhos de Deus. Logo, é pecado mortal por natureza. Sempre. Esteja, o culpado, só, ou na companhia de outras pessoas. Entretanto, a malícia varia segundo a qualidade destas pessoas e segundo as coisas más que se fazem.



2º. Maus olhares. Consistem em demorar a vista, por gosto e sem necessidade, nos objetos ou nas pessoas que podem excitar as paixões: por exemplo, estátuas, imagens ou pessoas que não têm a devida decência.



3º. Escritos e palavras desonestas. Quer dizer, qualquer escrito (maus livros e maus jornais), qualquer palavra (cantigas ou conversas despudoradas) que ofendem o recato, ou abertamente, às escâncaras, ou disfarçadamente, por meio de equívocos, ambiguidades, reticências. Nada mais prejudicial do que as más leituras. Quanto às más conversas, afirma São Paulo (I Cor XV, 33) "que corrompem os bons costumes".



III. O que proíbe o 9º Mandamento



O 9º Mandamento proíbe:



1º. Os maus pensamentos. O pecado de pensamento, que os teólogos, chamam de "deleitação morosa", consiste em se demorar, voluntariamente, na imaginação de uma coisa ruim, sem querer mesmo chegar à prática da mesma. Tal deleitação, ou gozo, é chamada morosa, do vocábulo latim "mora" atraso, diz Santo Tomás, porque a razão, em lugar de repelir sem tardança, como fôra de mister, as cogitações impuras que se apresentam, se demora nelas (immoratur), as acolhe com agrado, e nelas se compraz livremente (por aí se vê que vai grande diferença entre "deleitação morosa" e "sugestão má". Esta independe da vontade. É uma tentação, nem mais nem menos). Quem se entregou à deleitação morosa [PROLONGADA] tem que declarar na confissão, a natureza específica deste pensamento; por exemplo, se tem voto de castidade, ou se as cogitações diziam respeito a uma parenta, ou a uma pessoa casada. É pecado mortal, quando a coisa é mesmo ruim, e o consentimento pleno. Do contrário, é venial. E não há pecado nenhum, quando se combate e se afugenta a representação do mal, e se reprova.



2º. Os maus desejos. O desejo é mais do que o pensamento, porque, com a imaginação do ato mau, está a intenção e vontade de praticá-lo. Perante Deus, é a mesmíssima coisa: querer ver, ouvir ou fazer, coisas impudicas, e ver, ouvir, ou fazer. Agora os desejos desonestos são como os pensamentos: culpados, exatamente na proporção em que são voluntários.


IV. Gravidade dos atos contra a pureza.



É facílimo avaliar a gravidade dos atos contra a pureza, pela meditação das conseqüências desastradas que acarretam na alma e no corpo:



a) Na alma. Nublam, entenebrecem, e materializam, a inteligência. Cegam-na para as coisas de Deus (I Cor II, 14). Desmoralizam e embrutecem o coração que, então, se separa e afasta de Deus, abandona a religião, cai na impiedade.



b) No corpo. A impureza estraga a saúde, exaure as forças, traz as doenças mais repugnantes e vergonhosas, as enfermidade mais asquerosas, e, não raro, fim prematuro. Portanto, são mortais, geralmente, os pecados de impureza, a não ser que a irreflexão diminua esta gravidade.



V. Causas que levam à impureza.



As causas determinantes de pecados contra a castidade podem se classificar em: exteriores e interiores.



1º. Causas exteriores. São as que deparamos fora do nosso espírito viciado e do nosso coração corrupto pelo pecado original:




a) As más leituras. Esta rubrica geral abrange os livros ímpios, licenciosos, jornal ruim, revista ruim, e em especial, folhetins e romances que pintam ou encarecem o vício: denominam-se realistas ou naturalistas, e o que querem, é estadear o crime em todos seus pormenores, toda a hediondez, sem rebuços; ou denominam-se psicológicos, pretendendo escalpelar as almas com seus sentimentos mais abjetos, em todos seus refolhos. Uns e outros provocam desgraças. Não há iludir ou anestesiar a consciência. Ninguém se imuniza contra este tóxico violento, traiçoeiro e fatal. Dirão que procuram unicamente as belezas literárias, o encanto das descrições, a magia do estilo. É verdade. Isca fementida. Engodo. Procura-se tudo isso, e encontra-se mais alguma coisa: o veneno, que a alma engole por doses pequenas ou grandes, e que mata. Não se hão de perlustrar pântanos lodosos e pestilenciais sem apanhar pingos de lama. É absurdo. E será mesmo tão minguada a nossa literatura, que só nesses charcos se poderão descobrir modelos de estilo, de bela dição, de alta cultura clássica?



b) Espetáculos. Teatros e cinemas não são maus por índole, por natureza, é claro. Haveriam mesmo de aformosear a alma, educar a vontade, e nobilitar o coração. Infelizmente, sucede quase sempre o contrário. E passam a ser verdadeiras escolas do crime e da imoralidade. Glorificação do vício, apoteose e triunfo da impureza, e menosprezo ou escárnio da virtude, isto é que é. Alexandre Dumas o disse alto e bom som: a mãe prudente não assiste aos espetáculos, e muito menos levaria aí sua filha.


c) Dança e baile. Sendo exercício corporal, a dança é ginástica nada reprovável. A Bíblia refere, em muitas passagens, sem nota alguma pejorativa, as danças praticadas pelas moças e senhoras de Israel, para divertimento (Juízes XXI, 21, 23; Jerem. XXXI, 4,13) antes religioso, manifestação de piedade, do que mundano. A filha de Jefté vai ao encontro do pai, e vai dançando com uma porção de companheiras (Juízes XI, 34). Quando Davi, vencedor de Golias, regressa triunfante, as mulheres de Israel o ovacionam e celebram, com danças, a glória dele (Reis XVIII, 6, 7; XXI, 11). Davi ia dançando diante da Arca da Aliança, que ele mandava recolher, com inaudita pompa (II Reis VI, 5). Nota-se, entretanto, que, as mais das vezes, dançavam, as jovens, sozinhas, separadas dos moços (Ex XV, 20; I Samuel XVIII, 6).


A dança moderna, conhecida por nomes variadíssimos, é outra coisa. Altamente condenável, por causa da liberdade infrene que nela reina, dos encontros que ali se realizam. Excetuando determinadas reuniões de família, a regra geral é que não se deve dançar. Muito menos ainda, se hão de frequentar bailes públicos, ou bailes mascarados, que são os mais perigosos. Em que conta teremos os tais bailes de caridade? São organizados para angariar donativos, para aliviar os desamparados, ou as vítimas de alguma calamidade: inundação, seca, incêndio, etc.; motivo de beneficência. Ora, para saber o que vale este sistema, examinemos o caso. Será, um baile, mais puro e menos arriscado, porque o fim é a esmola? Que tem uma coisa com outra? Onde é que se viu alterada a essência de uma coisa porque se lhe mudou o destino?



d) Reuniões mundanas e más companhias. "Dize-me com quem andas, que te direi quem és". A frequentação, os passeios, as amizades, ou familiaridade com pessoas levianas, frívolas, em busca de passatempos quaisquer, e que gastam o dia no ócio e na moleza, são também causas de muitos pecados de impureza.




e) Modas desonestas. Nos trajes femininos, a moda apresenta, por vezes, excentricidades que constituem verdadeiro desafio e insulto ao bom gosto e ao pudor. Tais modas são reprovadas pela religião, pela moral, e até pelo senso comum.



2º. Causas interiores. As causas provenientes de nós mesmos são:



a) Orgulho. Deus não ama os que "se ensoberbecem nos seus juízos", desampara-os, e deixa-os "entregues a paixões de ignomínia" (Rm I, 21,26).

b) Intemperança. "Não vos embebedeis com vinho, diz São Paulo, isto é, fonte de devassidão: mas inebriai-vos do Espírito Santo" (Ef V, 18). Quem anda atrás dos deleites dos festins, dá a mão às tentações da carne e da concupiscência.


c) Ócio. A preguiça é mãe de todos os vícios, e São Jerônimo afirma, desassombrado que, se está um demônio solicitando ao mal o homem que trabalha, estão mais de cem demônios tentando o que está desocupado.


VI. Remédios contra a impureza.



1º. Meios naturais.



a) é preciso lembrar, primeiro, a fuga das ocasiões que podem levar ao pecado, quer dizer, a supressão, de vez, de todas as causas acima mencionadas.



A ocasião se diz remota ou próxima.



a) Ocasião remota é a que conduz, de modo muito indireto, até a ofensa a Deus. Tais ocasiões enxameiam pelo mundo, não há como evitá-las sempre, porque se alastram por todas parte. A melhor boa vontade não o conseguiria. Fugir delas não constitui obrigação.

b) Ocasião próxima é a que provoca a tal ponto que é quase certo cometermos o pecado, se ela não for removida. (1) A ocasião próxima será necessária de necessidade física ou moral: necessidade física, quando é de todo impossível suprimi-la; necessidade moral, quando a dificuldade é grande. Em ambos estes casos, é preciso lançar mão de todos os preservativos e orações, recepção dos Sacramentos da Penitência e Eucaristia. Renovar, amiúde, o propósito de nunca mais pecar. (2) Ou a ocasião próxima pode ser afastada, e então, há obrigação imperiosa de removê-la. É condição "sine qua non" para obter a absolvição. A Igreja impõe esta regra, porque conhece o que diz a Sagrada Escritura: "Quem ama o perigo, há de cair no abismo" (Ecl. III, 24).



b) a vigilância é guarda dos sentidos, da imaginação e das afeições;

c) a humildade;

d) a mortificação;

e) o trabalho, são outros tantos meios naturais e auxiliares poderosos na luta pela pureza.



4. INVEJA


1º. Natureza. A inveja deriva-se da soberba. Consiste no regozijo pela desgraça que sucede ao próximo e no pesar pela boa sorte dele, como se a felicidade alheia perturbasse a nossa. Logo, a inveja tem duas caras: expandida e risonha perante o mal dos outros; amarrada e tristonha diante da prosperidade alheia.



O distintivo essencial da inveja é a falta de caridade. Portanto, não tem inveja:



1. quem se entristece porque vê que é feliz e passa bem uma pessoa que não o merece. Não é inveja, é "zelo desatinado" porque a repartição dos bens deste mundo é da conta exclusiva de Deus;

2. quem fica triste com a promoção de fulano, porque isto poderá causar transtornos; é "temor legítimo", se não ajuizado;

3. quem anda acabrunhado, porque outro ganhou o lugar que ele mesmo havia pleiteado por seus esforços; chama-se "brio, emulação".


Ciúme é uma face da inveja. Não se alegra com os reveses e dissabores alheios. Mas tem o receio exacerbado de perder o bem que possui, e cobiça violentamente o bem dos outros.



2º. Efeitos. Da inveja nascem a calúnia, a maledicência, a delação, as rivalidades, as discórdias, o ódio e até o homicídio.



3º. Malícia. A inveja ofende a caridade que devemos ao próximo. É tanto mais culpada quanto mais avultado for o dano que ela causar aos outros.



4º. Remédios.



a) primeiro meio para tratamento desta enfermidade moral é recordarmos que todos os homens têm igual natureza e igual destino. Não são irmãos em Cristo todos os católicos? E não são todos eles membros da mesma sociedade que é a Igreja?

b) segundo meio, é ponderarmos as consequências nefandas que formam o séquito da inveja.


5. GULA


1º. Natureza. Gula é o amor desordenado ao alimento. Quando se aplica de modo especial à bebida chama-se embriaguez, alcoolismo.



A. Considerada em geral, a gula manifesta-se de duas maneiras:



a) pelo excesso na quantidade. O guloso multiplica as refeições; come a torto e a direito; ou então come demais, ou muito depressa, avidamente;

b) por excessiva exigência na qualidade. Peca por gula o que procura iguarias finas, e requinta nos prazeres do paladar; e até, quem repisa, a toda hora, na conversa, esses tópicos.



B. Embriaguez é a forma mais torpe e repugnante da gula. Com efeito, quem cai neste vício até ficar bêbado, perde o uso da razão e resvala abaixo dos brutos.



C. Alcoolismo é a paixão dos excitantes, das bebidas fortes. O alcóolico não chega a embebedar-se; mas, em doses exageradas e múltiplas, ingurgita o temível veneno. Tornou-se hábito, necessidade fatal.



2º. Efeitos.



A gula em geral provoca:



a) o abandono das obrigações religiosas;

b) a transgressão das leis do jejum e da abstinência;



O alcoolismo tem consequências ainda mais desastradas. Com efeito, o alcoolismo não é senão embriaguez no estado crônico:



a) no indivíduo viciado por este funestíssimo hábito, aparecem as doenças mais impiedosas (...). As faculdades intelectuais embotam-se gradualmente, e breve, a vítima acha-se como que bestificada. No ponto de vista moral destrói o pudor e os brios, deixando apenas a medrar os instintos da animalidade.



b) na família é fautor de anarquia. O alcóolico foge do lar; deixa no desamparo mulher e filhos. E se, porventura ainda trabalha, gasta com o vício tudo o que vai ganhando.



c) para a sociedade também o alcoolismo é um flagelo, um cancro. Nos países onde grassa, queima as veias de um povo inteiro, dessora e desfibra a raça mais profundamente do que a chacina das batalhas.



3º. Malícia.



O amor exagerado do comer e do beber não é, em si, pecado grave. Adquire, porém, este caráter, quando levado ao ponto de menosprezar e transgredir o preceito da penitência.



Com a embriaguez, o caso é outro. Quando acidental e involuntária, desculpa-se; mas se for propositada, é pecado mortal. Quanto às faltas cometidas pelo bêbado, ele é responsável no grau em que as previu: a culpabilidade não está no ato, está na causa.



Tanto mais culpado é o alcoolismo, quanto mais lamentáveis são os estragos que produz.



4º. Remédios. Para sanar este defeito da gula são eficazes as seguintes receitas:



a) evitar tudo o que lisonjeia demais o paladar, como as iguarias saborosas e muito finas;

b) pensar que isto de comer e beber não é o fim da atividade humana. Existe o alimento para a vida, não a vida para o alimento.

c) os pais devem incutir no ânimo dos filhos o amor da temperança e, sobretudo, dar-lhes bons exemplos a respeito.
d) as donas de casa zelem por ter um lar confortável e atraente, que agrade às visitas, ao esposo e aos filhos, desviando-os da frequentação de tabernas e botequins.




2º. Meios sobrenaturais. Com os meios naturais, é indispensável ainda, o emprego dos meios sobrenaturais. Os principais são:



a) Oração. Deus nada recusa a quem pede.

b) Confissão. Desvendar a chaga é curá-la.

c) Comunhão frequente. A Eucaristia é o alimento da força.
d) Devoção a Maria Santíssima. Vendo perigo, a criancinha recolhe-se junto da mãe. Maria Santíssima é mãe de todos nós, e ela tanto estima a virtude de pureza, que protegerá seus devotos que lhe suplicam auxílios, que se recolhem pela prece, à sombra benéfica de sua égide maternal.


6. IRA



1º. Natureza. Ira é um movimento desordenado da alma que se revolta contra o que não lhe apraz. Muitas vezes, é o resultado do orgulho que se julga melindrado, e quer desforçar-se. Mas é também uma paixão proveniente da índole, e que a vontade custa a senhorear.




Nem sempre alcança, a ira, o mesmo grau de violência. Por isso distinguem-se:




a) a impaciência;

b) a raiva;

c) o arrebatamento, que se derrama em berros e desaforos;
d) o furor, que se traduz por insânias, acessos próximos da loucura;
e)a vingança, que é o desejo cultivado de prejudicar a quem nos desagradou.




Há certa cólera que não é pecado. Vem a ser, apenas, justa indignação, quando se manifesta dentro de limites razoáveis: na hora azada, contra quem a merece, e com intensidade prudente. Um pai de família se mostrará oportuna e eficazmente irritado com o comportamento mau do filho, e infligirá uma correção enérgica que produza frutos de emenda. Um superior de comunidade, no desempenho do seu cargo, castiga publicamente uma ofensa à regra. A cólera, então, não é vício, é virtude. Na Sagrada Escritura, temos muitos fatos destes. Moisés, ao deparar com o bezerro de ouro, deixa-se arrebatar pelo furor da ira santa, e quebra as tábuas da Lei (Ex XXXII, 19). Deus, muitas vezes, ira-se contra os pecadores (Sl CV, 40). Nosso Senhor lança mão do chicote, e tange para fora, irado, os vendilhões do Templo (Mt XXI, 12). Zanga com os Fariseus, que andavam espiando, para ver se haveria de curar, em dia de Sábado, o enfermo com a mão ressequida (Mc III, 5). São cóleras santas que têm justificativa no fim almejado: debelar ou fustigar o mal, e emendar os pecadores.




2º. Efeitos. A ira gera as disputas, as quisílias, doestos e vitupérios, brados e invectivas, rancor, ódios, assassínios e demandas.




3º. Malícia. Quando a cólera provém da índole, do gênio, é culpa venial só, a não ser que se desmande em crises, e seja deliberada. Quando inclui o desejo desnorteado de vingança, ofende a justiça ou a caridade, e então é pecado grave.




4º. Remédios. Para amordaçar e refrear a cólera, é preciso:




a) atalhar logo o primeiro ímpeto;

b) lembrar-se do preceito do Senhor: "Amai vossos inimigos ... fazei o bem aos que vos odeiam" (MT V, 44);

c) meditar o exemplo do divino Mestre, Cordeiro manso e humilde de coração.



7. PREGUIÇA




1º. Natureza. Preguiça é o apego desmedido ao descanso que leva a omitir nossas obrigações, ou a descuidá-las. O espírito e o corpo do homem que trabalha necessitam de repouso. Mas, este não pode vir a ser regra geral, e com que o único fruto da existência.




Distinguem-se:




a) preguiça espiritual;

b) preguiça corporal.




Aquela é falta de ânimo, de coragem no cumprimento dos deveres religiosos, na oração. Esta é desleixo das nossas obrigações de estado.




2º. Efeitos. A preguiça faz ociosa a vida, e franqueia, a todas as tentações, os caminhos da alma. "A preguiça é a mãe de todos os vícios". A preguiça espiritual põe em perigo a salvação eterna, pois "cada um há de receber a própria remuneração, conforme o próprio trabalho" (I Cor III, 8).




3º. Malícia. É pecado grave, a preguiça, quando chega até o esquecimento de Deus e das nossas obrigações mais importantes.




4º. Remédios. Para extirpar a preguiça, reflita-se que o trabalho é lei universal imposta pelo Criador. Os ricos não são dispensados. Existe, para eles, o grande dever da caridade, que os manda trabalhar a fim de aliviar, mais eficazmente, a sorte dos pobres.


Fonte: São Pio V













terça-feira, 1 de novembro de 2016

Súmula bíblica contra protestantes

Fonte: Permancência 

Pe. Antônio Miranda, S. D. N.
Manhumirim, 1960



ABSOLVIÇÃO


1 ― JESUS PROMETEU CONFERIR O PODER DE PERDOAR PECADOS

MAT. XVI, 19 ― “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus e tudo o que  desligares sobre a terra será desligado também nos céus”.

Aqui vemos o poder de perdoar, conferido primeiramente ao chefe dos Apóstolos, no singular; depois, Jesus conferirá o mesmo poder a todo o Colégio Apostólico, no plural. Leia-se o texto seguinte:

MAT. XVIII, 18 ― “Em verdade, vos digo: tudo que ligares sobre a terra, será ligado também no céu: e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado também no céu”.


2. JESUS CONFERIU ESTE PODER, APÓS A RESSURREIÇÃO

JOÃO, XX, 22-23: ― “Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

NOTA-SE que, no texto último, Jesus faz questão de, antes de conferir aos Apóstolos o poder de perdoar pecados, soprar sobre eles, conferindo-lhes o Espírito Santo.  Logo, o poder de perdoar não convém, de maneira nenhuma, a todo e qualquer indivíduo, como o entendem os protestantes, mas é um poder sacramental, conferido mediante a colocação do Espírito Santo.

Vide também o verbete CONFISSÃO.


ADORAÇÃO

1 ― EM SENTIDO ESTRITO, SÓ SE PODE ADORAR A DEUS
MAT. IV, 10 e LUC. IV, 8: “Está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus e a Ele só servirás”.

ATOS, X, 25, narram que Cornélio, ao receber S. Pedro, “prostrou-se para adorá-los, mas S. Pedro lhe disse: “Levanta-te. Também eu sou um homem”

APOC. XIX, 10, narra também que São João se prostrou aos pés de um Anjo para o adorar, mas este lhe disse: “Não faças isto !  Eu sou um servo como tu e teus irmãos, que tem o testemunho de Jesus. Adora a Deus”.

2 ― MAS, EM SENTIDO IMPRÓPRIO, A ESCRITURA FALA DE ADORAÇÃO EM VÁRIOS LUGARES

GEN.  XXXIII, 1 :  ― “Levantando, porém, Jacó os seus olhos viu Esaú,  ...  3. E ele, adiantando-se, adorou-o sete vezes prostrado por terras”.

NÚMEROS, XXII, 31: ― “No mesmo ponto abriu o Senhor os olhos a Balaão, ele viu  o Anjo parado no caminho com a espada desembainhada, e, prostrado por terra, o adorou”.

II REIS, XIV,22: ― “Joab, prostrando-se por terra sobre o seu rosto, adorou e felicitou o rei”.

III REIS, 1, 16: ― “Inclinando-se Betsabé profundamente, adorou o rei”.

IV REIS, IV, 36 e 37: ― “Chegou ela e lançando-se-lhe aos pés (de Eliseu), adorou prostrada em terra”.

IPAR. XXIX,20: ― “E todo o povo bendisse o Senhor Deus; e se prostraram e adoraram a Deus, e depois ao rei”.

A adoração de que fala a Escritura nestes textos não é propriamente adoração, e, sim, veneração profunda que se demonstra com a prostração. A Escritura narra estes fatos sem reprová-los, porque o sentido deles é fácil de entender-se, entre os orientais principalmente.

É neste mesmo sentido que, em português antigo. falavam alguns autores de adoração dos Anjos e Santos. Estavam, pois, muito de acordo com a Sagrada Escritura.

Hoje em dia se usa o termo adoração só para Deus. E para a Sma. Virgem e os Santos se usa o termo veneração.

ADORAR EM ESPÍRITO E VERDADE

JOÃO, IV, 23 e 24: ― “A hora vem, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Por que é destes adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram”.

Deste texto os protestantes deduzem contra a Igreja Católica a abolição de todo culto externo, principalmente o culto das imagens. Mas é dar à palavra de Jesus uma extensão que não tem. Jesus apenas quer dizer à samaritana que vai ser abolido o culto da lei antiga e que não será necessário ir mais ao templo de Jerusalém para ali adorar a Deus, porque, em a nova religião cristã, não são as formas antigas, prescritas por Moisés, que vão agradar ao Pai, e sim a adoração “em espírito e verdade” isto é: adoração espiritual e sincera, não só externa, mas partindo do intimo da alma, sobretudo adoração de almas em estado de graça.


ANJOS

1. ― SOMOS CONFIADOS À SUA GUARDA

MAT. XVIII,10: “Vede que não desprezeis a nenhum destes pequeninos; porque eu vos declaro que os seus anjos, no céu contemplam sempre a face do Pai que está no céu”.

HEBR. I, 14: ― “ Não são eles espíritos ministradores, enviados para exercer  o seu ministério em favor daqueles que deverão herdar a salvação ?”

ÊXODO, XXIII, 20: ― “Eis que te envio um anjo (mensageiro), diante de ti para que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te guarde no caminho, e te leve ao lugar que te preparei”.

ÊXODO, XXIII, 21: ― “Guarda-te diante dele e ouve a sua voz, e não provoques a ira. Porque não perdoará a vossa rebelião; porque meu nome está nele”

NOTE-SE a força destes textos. Deus encarregou os Anjos de zelar pelos homens. Eles estão, assim, constituídos intermediários, de algum modo medianeiros entre Deus e nós.

2. ― ELES OFERECIAM NOSSAS PRECES A DEUS, A  MODO DE MEDIANEIROS

APOC. VIII, 3:  ― “ Veio, pois, outro anjo, e parou diante do altar, tendo um turíbulo de ouro, e foram-lhe dados  muitos perfumes para oferecer com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que está ante o trono de Deus”.

APOC. VIII. 4: ― “ E da mão do anjo subiu a fumaça dos perfumes das orações dos santos diante de Deus”.


3 ― ELES ROGAM POR NÓS DIANTE DO TRONO DE DEUS

ZACARIAS, I, 12: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: ― “ Então o Anjo do Senhor respondeu e disse: “O Senhor dos Exércitos ! Até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos ?”

GÊN. XL.VIII. 16: ― “ O anjo que me livrou de todo mal, abençoe estes rapazes, seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaac e se multipliquem como peixes em multidão no meio da terra”.

OSÉIAS, XII, 3 E 4: ― “Jacó suplantou seu irmão no ventre materno e com fortaleza lutou com seu anjo. E prevaleceu contra o anjo e ficou vencedor. Chorou e suplicou-lhe”.



ANTICRISTO

1. ― ANTES DO FIM DO MUNDO, DEVE APARECER O ANTI-CRISTO

IIª TESS. II, 3-7: ― “Não vos deixeis iludir por pessoa alguma nem de modo algum; porque deve vir primeiro a apostasia e aparecer o homem do pecado, o filho da perdição, o adversário, a arvorar-se como superior a tudo o que se chama Deus ou divino chegando a sentar-se no templo de Deus e querendo passar por Deus”.

De acordo com estes dizeres do Apóstolo, o Anticristo é uma pessoa, bem definida, bem caracterizada, e que parecerá no fim do mundo.

No mesmo texto, v.9. o Apóstolo testifica que a vinda do Anticristo será obra de Satanás: “Sua vinda é por obra de Satanás, com todo o poder, com sinais e prodígios mentirosos”.

2. ― A ESCRITURA CHAMA TAMBÉM DE ANTICRISTO TODO AQUELE QUE NÃO ACEITA JESUS CRISTO OU SUA DOUTRINA

1ª JOÃO, II 22: ― “Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho”.

IDEM, IV 2 e 3: ― “Nisto se reconhece o Espírito de Deus: Todo espírito que confessa  que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não confessa Jesus, não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo, de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo”.

IIª JOÃO, 7: ― “Muitos sedutores tem saído pelo mundo afora, a proclamar que Jesus Cristo não se encarnou. Quem assim diz é sedutor e Anticristo”.

3. ― O ANTICRISTO É PERSONIFICADO POR S. JOÃO NUM GRANDE REI E SIMBOLIZADO NUMA FERA

Ler sobre isto todo o cap. XIII do Apocalipse.

Os protestantes forcejam por aplicar ao Papa de Roma os dizeres desta profecia. Chegam até à audácia de inventar que o número 666, de que fala o V.18: ― “É aqui que está a sabedoria. Quem tem inteligência calcule o número da besta. Porque é número de homem, e o número dele é 666” ― se aplica à pessoa do Papa.

Trata-se de uma profecia. O sentido de um texto profético é insusceptível de uma aplicação pessoal antes de sua realização plena. Se o Anticristo é o Papa, poderíamos perguntar: “Qual dentre os Papas, se são tantos os que já ocuparam o trono de Roma?”

O que é claríssimo no texto sagrado é que o Anticristo será um adversário de Cristo, que atacará a sua divindade, a sua autoridade, a sua doutrina, a sua Igreja, portanto. E como encontrar isto no Papa, que foi e é sempre, mesmo quando tem suas fraquezas humanas, o maior arauto da divindade e da doutrina de Cristo?


APÓSTOLOS

Esta palavra significa “enviados”. Apóstolo é aquele que é enviado por Deus para uma missão especial, de anunciar o reino de Deus.

1. ― JESUS ESCOLHEU DOZE APÓSTOLOS

MAR.III, 13-15: ― “Depois subiu ao monte, chamou os que Ele quis. e Foram a Ele. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia. Ele os enviara a pregar com o poder de expulsar os demônios”. A seguir se enumeram os doze Apóstolos.

LUC. VI, 13-14: ― “Naqueles dias Jesus retirou-se a uma montanha, para rezar, e passou ai toda a noite orando a Deus.
Ao amanhecer chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de Apóstolos”.

De ambos estes textos ressalta que os Apóstolos são distintos dos discípulos; “dentre eles” é que Jesus escolheu os Apóstolos. São, portanto, uma hierarquia à parte na Igreja do Senhor.

2. ― ATRAVÉS DE TODO O NOVO TESTAMENTO SE PODE VER QUE OS APÓSTOLOS DESENVOLVEM “AÇÃO HIERÁRQUICA” ISTO É, DE SUPREMACIA SOBRE OS FIÉIS, DIRIGINDO-OS, INSTRUINDO-OS, GOVERNANDO-OS.

Veja-se:

MAT. cap. X. Todo caracteriza a missão apostólica.

Idem, cap. XI, 1.

JOÃO, XV: 16-27.

Leia-se todo o livro dos Atos e poder-se-á averiguar isto a cada passo, mas principalmente nos Capítulos VI e XV.


3. ― ENTRE OS APÓSTOLOS, PEDRO TEM A PRECEDÊNCIA, FALA E AGE EM NOME DE TODOS.

MAT. X,2: ― “Eis os nomes dos doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro...”

MARCOS (III, 10) e LUCAS (VI, 12), mencionando os Apóstolos, enumeram Pedro em primeiro lugar.

MAT. XVI, 16: ― Quando Jesus pergunta aos Apóstolos qual o pensamento deles sobre o Filho do Homem, é Pedro quem responde em nome dos demais, inspirado pelo Pai.

É a ele que Jesus promete a suprema investidura da Igreja. “Dar-te-ei as chaves do reino do céu”. MAT. XVI. 19.

ATOS, II, 14: É Pedro quem primeiro prega.

ATOS, II, 41 E X, 9 e sgs. é Pedro que batiza os primeiros gentios.

ATOS, III, 1 e segs.: É Pedro quem opera o primeiro milagre.

ATOS, 1, 15: é Pedro quem propõe a eleição do sucessor de Judas.

ATOS, II, 41 e X, 9 e segs.: é Pedro quem fala em nome de todos perante o Sinédrio e defende a fé.

ATOS, V, 3 e segs.: é Pedro quem exproba Ananias e Safira e lhes inflige em nome de Deus o castigo de sua mentira.

ATOS, XV, 7 e segs.: No primeiro Concilio celebrado, é Pedro quem dirime a questão.


ASSUNÇÃO DE MARIA

Objetam muito os protestantes contra a Assunção, pedindo textos da Bíblia, que a comprovem.

O fato histórico da Assunção não se encontra na Bíblia, pois os livros do Novo Testamento foram escritos para pôr em foco Jesus Cristo. Não se ocupam, portanto, de Maria Sma. senão enquanto em função de Mãe de Cristo, e nada podem narrar de sua Assunção histórica.

Mas, não obstante, a Bíblia nos prova indiretamente que a Virgem Maria teve uma vitória completa sobre a morte em união com Cristo. Eis os textos:

GÊN. III, 15: ― “Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a  descendência dela. E um dia Ela te esmagará a cabeça”.

Confia-se a interpretação que demos deste texto no artigo Imaculada Conceição.

Muitos Santos Padres o interpretam como sendo uma referência profética à mulher por excelência que teria uma vitória total sobre o Demônio.

Uma vitória total: quanto ao pecado e sua conseqüência, que é a morte. Assim deve-se deduzir que Nossa Senhora, segundo o augúrio da Bíblia, devia triunfar sobre a morte, ressurgindo e subindo ao Céu.

1º COR, 20-23: ― “Mas eis que ressuscitou Cristo, como primícias dos que morreram. Pois assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morreram, também em Cristo todos serão vivificados”.

ECLE. XXV, 33. ― “De uma mulher teve princípio o pecado, por ela todos morremos”.

NOTA: Estes dois textos comparados nos mostram que o pecado entrou neste mundo por um homem ― Adão e por uma mulher ― Eva, e que a vida entrou por um Homem ― Cristo, que deve reconstruir tudo, e sua reconstituição de tudo vai até à ressurreição, de que Ele mesmo é as primícias. Mas, se a morte entrou por um homem e por uma mulher, Adão e Eva, a vida que entra por Cristo, entra também, de algum modo, por uma mulher, Maria. E se Cristo reconstitui a vida como primícias de ressurreição, Maria também devia participar desta reconstituição pela mesma forma, como primícias da ressurreição. Assim, deste texto de S. Paulo, deflui um forte argumento a favor da Assunção de Maria.

APOC. XII, 1 e segs.: ― “ Um grande sinal apareceu no céu: uma senhora vestida de sol e a lua debaixo de seus pés, e  sobre a sua cabeça uma cora de doze estrelas”.

“E a Senhora voou para o deserto, onde de Deus lhe tinha preparado um lugar”.

“E foram dadas à Senhora duas asas de uma grande águia, para que voasse para o deserto, para o lugar do seu retiro”.

NOTA: ― Leia-se todo o capítulo XII do Apocalipse e ver-se-á a luta do Dragão (Demônio) contra a Mulher (Maria), luta que culmina com a vitória total da Mulher.

HEBR. II., 14: ― “Como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele (Cristo) participou das mesmas causas, afim de destruir, pela sua morte, “aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio”.

Vê-se, por este texto, que é império do Demônio a morte. Maria para vencer, pois, o Demônio, tinha de triunfar da morte, pela Assunção gloriosa.


AVE-MARIA


1. ― ESTA ORAÇÃO QUE OS CATÓLICOS REZAM ESTÁ CONTIDA NO EVANGELHO

LUCAS, I, 28: ― “Entrando o Anjo, disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres”.

LUCAS, I, 42: ― “E exclamou (Isabel) em alta voz: “ Bendita é tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”.

2. ― ESTA ORAÇÃO É DIVINA, QUANTO À SUA ORIGEM.

LUCAS, I, 26 e segs.: ― foi pronunciada pelo Anjo Gabriel, “que foi enviado por Deus”, e portanto, falou em nome de Deus.

LUCAS, I, 41-42: ― Isabel a pronunciou “cheia do Espírito Santo”.


BATISMO

1. ― É ORDENADO POR JESUS CRISTO

Sem o Batismo ninguém pode entrar no céu. Sobre este assunto, vejamos os textos seguintes:

MAT. XXVIII, 18-19: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo...”.

JOÃO, III, 5: ― “Em verdade, vos digo: quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus”.

NOTE-SE que aqui Jesus não faz acepção de idade: todo aquele que quiser entrar no reino de Deus, terá que passar pelo Batismo ― renascer...

2. ― O BATISMO DE JESUS É DIFERENTE, ESSENCIALMENTE, DO DE S. JOÃO  BATISTA

MAT.III, II e segs: ― “Eu vos batizo com água, em sinal de penitência... Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” - (Idem, Marcos 1, 8).

3. ― FOI ADMINISTRADO PELOS APÓSTOLOS

ATOS, II, 38 e segs.: ― “Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”... Os que receberam a sua palavra foram batizados”.

ATOS, VIII, 36-38: ― “E continuando o caminho, chegaram a uma fonte... e  Felipe disse: Se crereis de todo o coração, é possível seres batizado... E desceram os dois à água, Felipe e o Eunuco, e o batizou”.

ATOS, X, 47-48: ― “E então Pedro tomou a palavra: Porventura pode alguém negar a água para que não sejam batizados estes que, como nós, receberam o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados (Vide I Ped.III,21; Ef. V, 26).

4 ― QUANTO AO BATISMO DAS CRIANÇAS

Não há nenhuma passagem da Escritura que o proíba. Pode-se argumentar com

LUC.XVIII, 16: ― “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino de Deus”.

Ora, a criança nasce contaminada com o mesmo pecado de origem (dos nossos primeiros pais). Para entrar no reino de Deus tem que passar pela morte do pecado, que é o Batismo.

Batismo por infusão ou ablução pg. 106


BÍBLIAS FALSIFICADAS

Os protestantes, para iludir os incautos, afirmam que a sua Bíblia é identicamente a mesma dos católicos.

Examinando, entretanto, algumas de suas traduções, notamos que lhes faltam os seguintes livros:

1º Livro dos MACABEUS;
2º Livro dos MACABEUS;
O Livro de TOBIAS;
O Livro de JUDITE;
O Livro da SABEDORIA;
O Livro ECLESIÁSTICO;
O Livro de BARUC.

Portanto, faltam sete livros inteiros.

Mais ainda: além disso, estão ali incompletos DOIS OUTROS LIVROS: o de ESTER, que deve ter 16 capítulos, e não somente 10; e o de DANIEL, que deve ter 14 capítulos e não só 12! CEM versículos no cap. III, e não apenas TRINTA (1).

Sobre a tradução das Bíblias protestantes, observe-se ainda o seguinte:

João Ferreira de Almeida, que é tradutor da Bíblia, e cujas traduções são muitíssimo divulgadas pelos protestante, jamais foi padre católico! Foi ministro cavinista. O título de “Padre” que ainda hoje vem impresso no frontispício de suas Bíblias, é malevolamente conservado pelos protestantes como maneira mais fácil de divulgar os erros, que essa tradução infiltra nos espíritos desprevenidos. Antigamente os ministros protestante alemães, holandeses e dinamarqueses, intitulavam-se “Reverendos padres”; eis a razão porque os protestantes conservaram a tradição desse costume na Bíblia de Almeida, embora não tenham conservado a fidelidade da primeira tradução, que trazia TODOS os LIVROS (protocanônicos) acima citados, que hoje nossos modernos hereges rasgaram, porque “deixaram” de ser verdadeiros, isto é, vão contra os erros que ele propagam: ensinam a existência do Purgatório, o Sacrifício pelos mortos, etc.

Não se deve confundir as traduções protestantes com a de Antônio Pereira de Figueiredo. Este é Padre. Sua tradução primitiva foi boa, mas suas anotações (que os protestantes tiraram) eram, em grande parte, eivadas de influências realistas, etc., e foi necessário serem condenadas pela Igreja que, aos 26-1-1795, pô-las no “Index”. É bom notar que Figueiredo também não rejeitou os SETE LIVROS que hoje as Bíblias protestantes que lhe traduzem o nome recusam.


BISPOS

1. ― FORAM POSTOS PELO ESPÍRITO SANTO PARA REGER A IGREJA

ATOS, XX, 28: ― “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para reger a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue”.


2. ― SÃO DISTINTOS DOS SIMPLES FIÉIS E SUCEDEM AOS APÓSTOLOS

ATOS, I, 20-26: ― Tendo apostatado Judas, que era Apóstolo, S. Pedro propõe a escolha de um sucessor, que receba o episcopado dele ― ( et episcopatum ejus accipiat alter), e seja testemunha da ressurreição de Cristo. E “Matias foi incorporado aos onze Apóstolos” - diz o v. 26.

3. ― POR ISTO DEVEM TER QUALIDADES EXCEPCIONAIS, QUE NÃO SE EXIGEM DE TODOS

TITO, 1,7: ― “Porque, na qualidade de administrador da casa de Deus, o Bispo deve ser irrepreensível”.

1ª TIM. III, I e segs.: ― “Digna de fé e esta palavra: Quem deseja o episcopado, deseja um cargo sublime. Por isto, é necessário que o Bispo seja irrepreensível... etc., etc.”.

4. ― JESUS CRISTO É CHAMADO “BISPO DE NOSSAS ALMAS”, PELO QUE OS BISPOS SÃO SEUS SUCESSORES

1ª. PEDRO, II, 25: ― “Éreis como ovelhas desgarradas. Mas agora retornastes ao Pastor e Bispo de vossas almas”.

Ver também CHEFES DA IGREJA.


CELIBATO CATÓLICO

1. ― S. PAULO ACONSELHA O CELIBATO

1ª COR. VII, 1-8: ― “Penso ser bom que o homem não toque mulher. Mas pelos perigos da incontinência, cada um tenha a sua esposa... Digo isto por concessão, não como ordem. Pois que todos fossem como eu... Digo às pessoas solteiras e viúvas, que lhes é bom se permanecerem assim como eu”.

IDEM, 25: ― “A respeito das pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor. Julgo, pois, que, em razão das dificuldades presentes, é bom ao homem ficar assim como eu”.

IDEM, 32-35: ― “Quero que fiques sem cuidados. O solteiro cuida das coisas do Senhor, de como agradar a Deus. Mas o casado cuida das coisas do mundo, de como agradar à sua esposa e está dividido. A mulher solteira e a virgem, cuidam das coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito”.

NOTA: ― Eis ai porque os sacerdotes católicos, até neste ponto de vista de meios naturais, estão acima de qualquer ministro protestante. São castos, celibatários, “para serem santos no corpo e no espírito”, e para serem inteiramente de Deus, e não “estarem divididos” entre o mundo, mulher e filhos de um lado, e Deus do outro.

1ª COR. VII, 38: ― “De modo que, quem casa sua virgem faz bem; o que não a casa, faz melhor”.

2. ― CONSELHO ESPECIAL AOS SACERDOTES

LEV. XXI, 8: ― “Portanto santificai-vos e sede santos, porque eu, o Senhor que vos santifico, sou santo”.

MARC. X. 29: ― “Todo aquele que deixar, por causa de meu nome, ou casa, ou irmão, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, receberá cem por um e a vida eterna”.

IDEM, 28: ― “E Pedro, tomando a palavra, disse: Eis que nós abandonamos tudo e te seguimos”.

NOTA-SE que, se os Apóstolos “abandonaram tudo”, é porque deixaram também a família. Foram castos.

3. ― POSSIBILIDADE DO CELIBATO PELA GRAÇA DE DEUS

MAT. XIX, 12: ― “Há eunucos que o são desde o ventre de suas mães; e há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens; e há eunucos que a si mesmos fizeram eunucos por amor do reino de Deus. Quem puder compreender, compreenda”.

MAT. XIX, 24-26: ― “É  mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha que entrar um rico no reino do céu. Ora, os discípulos admirava-se, ouvindo estas palavras, e disseram: Quem poderá, então salvar-se? Jesus porém, fitando-os, disse: Aos homens, isso é impossível”.

Estas mesmas palavras se podem aplicar à guarda da castidade, contida aliás no que Jesus pediu ao jovem, quando lhe disse: “Vem, e segue-me”.

Noutros termos, Jesus diz que, com os auxílios da graça, tudo é possível, pois esta faz no homem desapegar-se de tudo o que é de mais apetecível, para sacrificar-se por Deus.

ROM. VIII, 11-13: ― “Mas se o espírito daquele que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos habita em vós... ele também dará vida aos vossos corpos mortais pelo seu espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores à carne, para que vivamos segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne vivereis”.

Iª. COR. X,13: ― “Não vos sobreveio tentação alguma que não seja humana; mas Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; antes dará um meio de tirardes proveito da tentação, para poderdes suportar”.

IIª. COR. XII, 7-9: ― “E, para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça, foi-me dado um estímulo da carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear pelo que três vezes roguei ao Senhor que se apartasse de mim. Mas Ele me disse: Basta-te a minha graça, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”.

4. ― O VOTO, QUE SE FAZ, OBRIGA SOB PECADO

DEUTER. XXIII, 21; ― “Quando fizerdes algum voto ao Senhor vosso Deus, não deixeis de cumpri-lo, porque o Senhor vosso Deus vos pedirá conta dele, e em vos haverá pecado”.

Iª TIM. V, 11 E 12: ― “Rejeita as viúvas novas (ao pedido de voto) pois que, quando o atrativo dos prazeres as desgostar do serviço de Cristo, querem casar-se, tendo a sua condenação, porque violaram a primeira fé (isto é, violaram o voto)”.

O mesmo se pode dizer com respeito ao sacerdote que deixa a batina para casar-se.


CHEFES DA IGREJA

1. ― TODOS DEVEM DAR-LHES OUVIDOS E OBEDECER-LHES AS ORDENS

MAT. XVIII, 17-18: ― “Se, porém, não ouvir a Igreja, seja tido como pagão e publicano. Em verdade, vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra, será desligado no céu”.

MAT. XXVIII, 19-20: ― “Foi-me dado todo o poder no céu, e na terra (eu vo-lo transmito): Ide, e ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e instruindo-os a observar tudo o que vos hei ensinado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

NOTA: ― Dada a alta importância deste texto, probativo da perenidade da Igreja e da assistência eterna de Cristo, para  que ela não venha a errar, formemos o  seguinte raciocínio: Jesus é Deus. Não pode, pois errar nem fazer-nos errar, senão deixaria de ser Deus. Ora, Jesus prometeu ESTAR com a Igreja, isto é, com a Igreja que Ele fundou, até o fim dos séculos. Logo, não errou a sua Igreja, e portanto sua assistência divina continua ainda a ser garantia de perenidade da verdadeira Igreja de Pedro.

Suponhamos que sua palavra tenha falhado, e que esta Igreja tenha errado, como o afirmam os protestantes. Então Jesus já não seria mais Deus, e toda a Igreja que se apresentasse com o nome de “Igreja de Cristo” seria tão mentirosa quanto a primeira.

LUC. X, 16: ― “Quem vos ouve, a mim me ouve; quem vos despreza, a mim me despreza; e quem me despreza, despreza Aquele que me enviou”.

MAT. X, 40: ― “Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem vos recebe, recebe Aquele que me enviou”.

NOTE-SE que os protestantes, desprezando a autoridade da Igreja fundada por Jesus Cristo, desprezam o próprio Cristo, e portanto, o Pai que o enviou ao mundo. Não estão, portanto, com a verdade.

2. ― O ESPIRITO SANTO ESTÁ COM ELES

JOÃO, XIV, 16: ― “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Paráclito, (consolador), que ficará eternamente convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber...”

JOÃO, XVI, 13: ― “Quando, porém, vier aquele Espírito de verdade, Ele vos ensinará toda a verdade”.

Este texto, mais uma vez, vem ensinar que toda a verdade que a Igreja ensinaria aos seus filhos, ser-lhe-ia ministrada mediante iluminação do Espírito da Verdade, que deveria assistir aos legítimos Chefes da Igreja.


COMUNHÃO

(Vide Eucaristia e Missa)

Os protestantes, no afã de insinuar dúvidas, dizem que o padre comunga “o vinho e a hóstia, mas não dá o vinho aos católicos”. Objeção tola. Na Bíblia está a resposta:

LUC. XXIV, 30-31: ― E aconteceu que, sentando à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lho serviu; então se lhes abriram os olhos e o reconheceram”.

ATOS, II, 12: ―  “Eles perseveraram na doutrina dos Apóstolos, na comunhão da fração do pão e nas orações”.

ATOS, XX, 7: ― “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos, para partir o pão, Paulo disputava com ele, e foi alongado o discurso até a meia noite...”

Iª COR. X, 16-17: ― E o pão que partimos, não é, acaso, a comunhão do corpo do Senhor ? Porque nós, que somos muitos, somos um pão somente, e um só corpo, pois que nós todos comungamos de um mesmo pão”.

Vale a pena ler todo o Cap. X, onde aparece, com toda a evidência, o mistério da Presença Real de Cristo debaixo das espécies do pão e do vinho. O Apóstolo como que desafia os protestantes de hoje a retrucarem se “o pão que partimos acaso não é o corpo do Senhor?”.


CONCÍLIOS DA IGREJA

(Vide CHEFES)

1. ― OS CONCÍLIOS OU ASSEMBLÉIAS DE BISPOS EM NOME DE CRISTO, SÃO ASSISTIDOS PELO ESPÍRITO SANTO

MAT. XVIII, 20: ― “Onde quer que dois ou três se reunam em meu nome, ali estou no meio deles”.

ATOS, XV, 28: ― “Porque pareceu bem o Espírito Santo e a nós não vos impor  maior jugo além do seguinte necessário”.

2. ― SEUS PRECEITOS DEVEM SER OBSERVADOS PELOS FIÉIS

ATOS, XV, 41: ― “E (Paulo) andava pela Síria e pela Cilicia, confirmando as Igrejas, ordenando que guardassem os preceitos dos Apóstolos e dos Presbíteros” (dados no Concílio de Jerusalém).

ATOS, XVI, 4: ― “E quando andavam pelas cidades, ensinavam-lhes que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém (no Concílio)”.

ATOS, XVI, 4: ― “E quando andavam pelas cidades, ensinavam-lhes que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém (no Concílio)”.


CONFIRMAÇÃO OU CRISMA

ATOS, VIII, 15-17: ― “Os quais (Pedro e João), tendo chegado, fizeram oração por eles, afim de receberem o Espírito Santo, porque Ele ainda não tinha descido sobre eles, mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus”.

ATOS, XIX, 6 ― “E tendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falaram diversas línguas e profetizaram”.

NOTA: ― Comumente, na primitiva Igreja, logo após a recepção da Crisma, o Espirito Santo se manifestava-se pelo dom das línguas, pela profecia, dom de milagres, etc. para maior edificação das almas. Isto revela no texto acima.

IIª COR. I, 21-22: ― “Ora, o que nos confirma em Cristo convosco, e que nos ungiu é Deus, o qual também nos imprimiu seu selo (caráter sacramental) e deu em nosso corações o penhor do Espírito”.

NOTA: ― Este texto revela, como muitos outros, haver um sacramento que se segue ao Batismo, e que se faz com a unção do óleo: é a Confirmação ou Crisma, que a Igreja nos ministra.

HERB. VI, 1-2: ― “ Pelo que, deixando de discorrer acerca dos primeiros rudimentos acerca de Cristo, elevemo-nos a coisas mais perfeitas, sem lançar de novo os fundamentos da conversão das obras mortas (do pecado) e da fé em Deus, da doutrina sobre os Batismos e da imposição das mãos (Crisma)”.

EFES. I, 13-14: ― “...Tenho crido nele, fostes marcados com o selo do Espírito Santo, que tinha sido prometido, o qual é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo conquistado”.

Iª JOÃO, II, 20: ― “Porém, vós recebestes a unção do Espírito Santo, e sabeis todas as coisas (necessárias)”.

IEM, 27: ― “E permaneça em vós a Unção que recebestes dele”.

ECL. III, 4: ― “O que ama a Deus implorará o perdão de seus pecados e se absterá de tornar a cair neles”.

ECL. IV, 31: ― “Não te envergonhes de confessar os teus pecados, mas não te submetas a ninguém para pecar”.

IIª ESD. IX, 1 E 2: ― “E no dia 24 deste mês se ajuntaram os filhos de Israel em jejum e vestidos de sacos e cobertos de terra. E os da linhagem dos filhos de Israel foram separados de todos os filhos estrangeiros; e confessaram os seus pecados e as iniqüidades de seus pais”.

PROV. XXVIII, 13: ― “Aquele que esconde as suas maldades não será bem sucedido; aquele, porém, que as confessar e se retirar delas alcançará misericórdia”.

2. ― NA TRANSIÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO PARA O N.T., JOÃO BATISTA EXIGIA A CONFISSÃO  DOS PECADOS

MAT. III, 6: ― “Então vinham a ele a circunvizinhança do Jardão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”.

NOTE-SE que estes textos não falam ainda da confissão sacramental, que foi instituída por Cristo para sua Igreja. Falam da confissão penitencial, que não era sacramental, mas fazia as vezes de sacramento.

3. ― NA PRIMITIVA IGREJA, USAVA-SE A CONFISSÃO

ATOS, XIX, 18: ― “E muitos dos que tinham crido iam confessar e  manifestar suas obras”.

S. TIAGO, V, 16: ― “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes salvos; porque a oração fervorosa do justo pode muito”.

Iª S. JOÃO, I, 9: - “Se nós confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar estes nossos pecados e para nos purificar de toda iniqüidade”.

Estes textos falam da verdadeira confissão sacramental instituída por Cristo, conforme a melhor  interpretação. (1) Pouco importa que não falem de confissão auricular feita só ao padre. Nos começos do cristianismo usava-se a confissão pública

4. ― A CONFISSÃO DEFLUI DO PODER DE PERDOAR PECADOS  QUE  CRISTO  CONFERIU A SUA IGREJA

MAT. XVIII, 18: ― “Tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu”.

Para um juiz dar uma sentença ligando ou desligando alguém  relativamente a uma pena ― é óbvio que lhe deve ser declarada a culpa do réu. É esta a razão porque o penitente tem necessidade de declarar seu pecado ao confessor, afim de este perdoar ou não, perdoar ou reter.

JOÃO, XX, 22-23: - “Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles (os Apóstolos) e disse: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.


EUCARISTIA

(Ver Comunhão e Missa)

I. ― JESUS PROMETEU DAR-SE EM ALIMENTO

JOÃO, VI, 1 e segs. O grande milagre que aqui se conta é símbolo da Eucaristia, que Jesus iria dar pela salvação do mundo. Ler toda a primeira parte deste capítulo.

JOÃO, VI, 27: ― “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, A qual o Filho do Homem vos dará”.

NOTA: ― Este texto resolve a controvérsia sobre se o alimento que Jesus promete dar mais tarde é sua palavra (pão metafórico), ou se é de fato seu corpo (Eucaristia).
Veja-se o verbo final do texto: comida que o Filho do Homem vos dará. Se Ele quisesse significar o pão de sua palavra, tomada como alimento espiritual, não teria dito - vos dará, mas - vos dá, pois que presentemente já Ele estava dando este alimento. Trata-se, evidentemente, daquele alimento que Ele dará na última Ceia - a Eucaristia.

2. ― JESUS INSTITUIU A EUCARISTIA

MAT. XXVI, 26: ― “E Quando ceavam, Jesus tomou o pão, e o benzeu, e o partiu e deu-o aos seus discípulos, dizendo: TOMAI E COMEI; ESTE É O MEU CORPO”

IDEM, 27: ― “E tomando o cálice deu graças, e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque É O MEU SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, O QUAL SERÁ DERRAMADO POR MUITOS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS”.

(Vide idem em Marc. XIV, 22-24; Luc. XXII, 19-20)

Iª COR, XI, 23-25: - “Porque eu recebi do Senhor, o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças o partiu e disse: “RECEBEI E COMEI ISTO É O MEU CORPO QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS: Fazei isto em memória de mim... etc.”.

NOTA-SE a identidade real que é afirmada por Cristo entre “este pão” e  “este corpo” que será entregue à morte.
Por isto é que dizem os teólogos que se dá na Eucaristia uma Transubstanciação (mudança) do pão no corpo de Cristo. (1)

3. ― EFEITOS DA CAMUNHÃO

JOÃO, VI, 50-52: ― “Este e o pão que desceu do céu, para que aquele que dele comer não morra . Eu sou  o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; o pão que eu darei é a minha carne (que será sacrificada) para a salvação do mundo”.

JOÃO, VI, 54-59: ― “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia...
Quem como a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele. Do mesmo modo que o Pai me enviou, e como eu vivo pelo Pai, assim também viverá por mim quem me recebe em alimento”.


EXTREMA-UNÇÃO

TIAGO, V, 14-15: ― “Está entre vós alguém enfermo? Chame os presbíteros (sacerdotes) da Igreja, e eles façam oração sobre o enfermo, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor; e a oração da fé  salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará. E  caso esteja em pecados, ser-lhe-ão perdoados”.

S. Tiago não prescreveria isto, se Jesus não o houvera instituído. É, pois, de concluir-se que a Extrema-Unção é de instituição divina. (1)

Há dela um vislumbre na vida pública de Cristo, quando Marcos descreve a atividade dos Apóstolos:

MARCOS, VI, 12-13: ― “E tendo partido (os doze) pregavam aos povos que fizessem penitência. E expeliam muitos demônios, e ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam”.


FÉ E OBRAS

1. ― A VERDADEIRA FÉ É NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO

MARC. XVI, 16: ― “Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer será condenado”.

JOÃO, II, 18: ― “Quem nele crê não é condenado, mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho Unigênito de Deus”.

IDEM XI, 26: ― “Todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente”.

ROM. X, II: ― “Todo o que crê nEle não será confundido”.

HEBR, XI, 6-7: ― “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Porquanto, é necessário que, quem se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é remunerador dos que o buscam.

Pela fé foi que Noé, avisado por Deus, das coisas que ainda não se viam... tornou-se herdeiro da justiça que se obtém pela fé”.

2. ― A FÉ SEM OBRAS É MORTA

TIAGO, II, 14-17: ― “Que aproveitará , irmãos meus, se alguém diz que tem fé, e não tem obras ? Porventura poderá salvá-lo tal fé ? Assim também, a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma”.

IDEM II, 26: ― “Bem como um corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta”.

GAL. V, 6: ― “Em Jesus Cristo, nem a circuncisão vale coisa, nem a incircuncisão, mas sim a fé que opera pela caridade”.

3. - AS BOAS OBRAS SÃO MERITÓRIAS

GÊN. IV, 7: ― Porventura, se tu fizeres boas obras, não receberás galardão, e se fizeres obras más, não estará o pecado logo à porta?”

IDEM, XXII, 16-17: ― “Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porque fizeste tal coisa, e não poupaste teu filho único por amor de mim, eu te abençoarei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu...”

SALMO XVII, 21: ― “E o Senhor retribuirá segunda a sua justiça e me recompensará segundo a pureza (das obras) de minhas mãos”.

MAT. V, 11-12: ― “Bem-aventurados sereis, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disseram todo mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

MAT. X, 42: ― “E todo o que der a beber um só copo d´agua a um destes pequeninos, porque meu discípulo, na verdade, vos digo que não perderá a sua recompensa”.

MAT. XVI, 27: ― “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus Anjos, e então retribuirá a cada um segundo suas obras”.

ROM. II, 6: ― “(Deus) retribuirá a cada um segundo as suas obras”.

EFES. VI, 8: ― “Cada um receberá do Senhor a paga do bem que tiver feito, ou seja escravo, ou livre”.

IIª TIM, VI, 17-19: ― “Manda aos ricos deste mundo... que façam o bem, que se façam ricos em boas obras... como um fundamento sólido para o futuro, afim de alcançarem a verdadeira vida”.

4. - A FÉ NÃO IMPLICA CERTEZA ABSOLUTA DO ESTADO DE GRAÇA, NEM A SALVAÇÃO

ROM. XI, 22: ― “Considera, pois, a bondade e severidade de Deus: a severidade para com aqueles que ciaram; a bondade de Deus para contigo, se permaneceres no bem. Doutra maneira, Tu  também serás cortado.

Iª COR, IX, 27: ― “Castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, para não suceder que, depois de haver pregado aos outros, venha eu mesmo a ser condenado”.

NOTA: ― Eis aí a condenação da fé fiducial protestante que os leva à temeridade de arvorar-se em salvos, eximindo-se das obras de penitência, contrariamente a todo ensino evangélico.

Iª COR. X, 12: ― “Aquele, pois, que crê estar de pé, veja que não caia”.

IªIL. 11,12: ― “Portanto, meus caríssimos, trabalhai na salvação com temor e tremor.

13 ― porque Deus é quem opera em vos o querer e o executar segundo o seu beneplácito”.

APOC. III, 11: ― “Eis que venho brevemente; guardar o (tesouro da fé) que tens, para que ninguém roube a tua coroa”.

ROM. II, 13: ― “Diante de Deus não são justificados os que simplesmente ouvem a lei, mas os que a praticam...”

NOTA: ― É, pois, demasiada presunção querer o homem apoiar sua salvação numa confiança presunçosa que não é fé, mas abuso da misericórdia divina. O demônio também crê, mas treme”.


HERESIAS

Muita gente lamenta a presença de falsas religiões na terra, dizendo que Deus não  devia permiti-las. Mas Deus não quer obstar a liberdade humana

1. ― DEUS AS PERMITE PARA PROVAÇÃO DOS FIÉIS

1ª COR. XI, 19: ― “Pois é conveniente que haja heresias, para que também os que são de virtude provada sejam manifestos”.

MAT. XXIV, 5: ― “Porque muitos virão (depois de mim) em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e seduzindo a muitos”.

JOÃO, V, 43: ― “Eu vim em nome de meu Pai: e vós não me recebeis; virá outro em seu próprio nome e recebê-lo-eis”.

IIª TIM. IV, 3: ― “Porque virão tempos em que não suportarão mais a sã doutrina, mas multiplicarão para si mestres segundo seus desejos”.

IIª TIM. II, 16-19: ― “Evite as conversas profanas e vãs, porque muito contribuem para a impiedade... Porém o fundamento de Deus está firme, tendo este selo: “O Senhor conhece os que são seus”.

2. ― FALAM EM NOME DE CRISTO E ESTÃO CONTRA DEUS

Iª JOÃO, II, 18-19: ― “Filhinhos, é a última hora; e como ouvistes dizer que o Anticristo vem, também já agora há muitos Anticristos. Eles saíram dentre os nossos, mas não eram dos nossos, porque, se tivessem sido dos nossos, teriam ficado conosco”.

NOTE-SE como esta palavra ― “Eles saíram dentre os nossos” ― se aplicam bem ao protestantismo, cujos fundadores, na maioria, eram sacerdotes católicos decaídos.

MAT. XXIV, 5: ― “Vede que ninguém vos engane; porque virão muitos em meu nome”.

A heresia nasce da desobediência à Igreja...


3. ― RENEGAM A IGREJA

LUC. X, 16: ― “Quem vos ouve, a mim, me ouve; quem vos despreza, a mim me despreza; o que me despreza, despreza Aquele que me enviou”.

PROV. XXVIII, 14: ― “Quem tem a cabeça dura cairá no mal”.

HERB. XII, 17: ― “Obedecerei aos vossos superiores (Prelados) e sede-lhes sujeitos, porque eles velam como quem há de dar contas de vossas almas...”

Iª JO. IV, 1: ― “Caríssimos, não deis crédito a todo espírito, mas experimentai-o se vem de Deus; porque muitos falsos profetas vieram ao mundo”.

LUC. XI, 28: ― “Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a praticam”.

4. ― OS HEREGES SERÃO CASTIGADOS

MAT. XII, 30: ― “Deixai crescer uma e outra coisa, até à ceifa; e no tempo da colheita direi aos cegadores: “Colhei primeiro a cizânia (erva má), e atai-a em molhos para queimar”.

NOTA: ― Eis  ai o castigo reservado aos hereges. Podem proliferar no meio dos verdadeiros cristãos, mas serão castigados pelo Supremo Juiz, no fim do mundo.

GAL. I, 9: ― “Se alguém anunciar um Evangelho diferente daquele que ouvistes, seja amaldiçoado”.

IIª TESS. II, 9-10: ― “A vinda dele (do Anticristo) é por obra de Satanás, com todo o poder e com sinais e prodígios mentirosos, e com todas as seduções da iniqüidade para aqueles que se perdem, porque (por sua culpa) não abraçaram o amor da Verdade para serem salvos”.

NOTA: ― Este texto se aplica mais particularmente aos espíritas, que com falsos prodígios vão enganando os incautos.

IIª PED. II, 9: ― “E porque o Senhor sabe livrar os justos da tentação, e reservar os maus para o dia do juízo, afim de serem atormentados...”


IGREJA

(Vide “Absolvição” e “Chefes”)

Os protestantes dizem que a Igreja de Cristo tornou-se adúltera, infiel a Cristo, tendo sido necessário vir Lutero, no século XVI, para reformá-la em seus dogmas e sua moral. Ora Jesus prometeu ficar como Ela até o fim dos séculos, e disse que “as portas do inferno não prevaleceriam contra Ela” pelo motivo de Ele estar sempre assistindo-a na terra.

Leiam-se os textos probativos desta verdade:

1. ― A IGREJA SUBSISTIRA PARA SEMPRE

MAT. XVI, 18: ― “Eu te digo, que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno (os erros e as heresias) não prevalecerão contra ela”.

MAT. XXVIII, 20: ― “Ensinai a observar tudo o que vos hei mandado: e eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

JOÃO, XIV, 16: ― “Eu  rogarei ao Pai e Ele vos dará um consolador que fique eternamente convosco”.

IDEM, 17: ― “O Espírito de Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque o não vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habitará convosco e ficará em vós”. (vide sl.47: 9; 5: 7, etc.).

2. ― A IGREJA É O RETORNO DE CRISTO

LUC. I, 32-33: ― “O Senhor Deus dar-lhe-á a sede de seu pai Davi, e reinará na casa de Jacó eternamente, e seu reino não terá fim”.

DAN. II, 44: ― “No tempo, porém, daqueles reinos (dos Caldeus, Persas, Alexandre Magno e Romano), suscitará a Deus do céu um reino que não passará a outro povo”.

(Vide SL. CXXXI, 13-14).

3. ― E O APRISCO DO QUAL CRISTO É O PASTOR

JOÃO, X, 16: ― “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; e importa que eu as traga... e haverá um só rebanho e um só Pastor”.

4. ― É ASSISTIDA PELO ESPÍRITO SANTO E POR CRISTO E NÃO PODE ERRAR

JOÃO, XIV, 26: ― “Mas o Advogado, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”.

IDEM, XVI, 13: ― “Quando vier o Advogado, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade... e anunciar-vos-á as cousas que virão”.

MAT. XVI, 19: ― “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado também no céu”.

MAT. XXVIII, 20: ― “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo”.

5. ― ELA TEM O PODER DE AMALDIÇOAR OU ANATEMATIZAR

Iª. COR. V, 1-7: ― “Ouve-se falar constantemente que entre vós há fornicação, e tal fornicação que não existe nem entre os gentios... Em nome de N.Senhor Jesus Cristo, congregados vós em meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus, seja o tal entregue a Satanás, para a morte da carne, afim de que sua alma seja salva no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo...”.

ROM. XI, 9: ― “Venha Tribulação e angústia sobre todo homem que opera a iniquidade”.

ATOS, V,5: ― “Ouvindo Ananias estas palavras (de Pedro) caiu e expirou aos seus pés”.

ATOS, V, 9-10: ― “Pedro então disse  a ela (Safira): Por que combinastes para tentar o Espírito do Senhor ? Eis que estão à porta os pés daqueles que sepultaram o teu  marido, e te levarão a ti. E imediatamente ela caiu aos seus pés e expirou”.
(Vide Gal. 1, 9).


IMACULADA CONCEIÇÃO

GÊN. III, 15: ― “Porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás armar-lhe ciladas ao seu calcanhar”.

APOC. XII, 1-6: ― “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Senhora revestida de sol, a lua debaixo dos seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal do céu: um grande dragão, vermelho, com sete cabeças e sete chifres, e nas cabeças sete coroas... Este dragão deteve-se diante da Senhora que estava para dar à luz, afim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um filho, um varão, aquele que deve reger todas as nações pagãs com o cetro de ferro. Mas seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono”.

IDEM, ib. 13 e segs: ― “O dragão vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Senhora que dera à luz o Menino... A serpente vomitou contra a Senhora um rio de água para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Senhora, abrindo a boca para engolir o rio que o dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Senhora, e foi fazer guerra ao resto da sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus”.

NOTA: ― Compare-se o texto do Gênesis (III, 15) acima citado com os textos do Apocalipse. Em ambos, a mesma realidade sobrenatural: a luta, a inimizade entre o Demônio e uma mulher escolhida por Deus; e esta luta é por causa do Menino “que deve reger com cetro de ferro todas as nações pagãs” (Apoc. XII, 5).
Quem poderá deixar de reconhecer nesta “Senhora vestida de sol”, que dá à luz o Menino, Rei de todos os povos, a Virgem Maria? E quem poderá  deixar de ver, então, na primeira página do Gênesis, a mesma Senhora, cuja descendência, ou seja, cujo Filho, esmagará a cabeça da serpente ?

E como se evidencia esta vitória da Mulher predestinada sobre o Dragão infernal? Fora Maria, “de quem nasceu Jesus” (Mat 1, 16) possuída pelo demônio quando veio a este mundo, isto é, fosse ela concebida no pecado, onde estaria sua vitória sobre o eterno inimigo ? Por isto, muitos Santos Padres e Doutores da Igreja interpretam os dois textos acima, dando-os como prova bíblica da Imaculada Conceição, bem como da própria Assunção gloriosa e da Corredenção.

LUC. I, 28: ― “O Anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça! O Senhor é contigo. Bendita és tu entre as mulheres”.

IDEM. ib. 30: “O Anjo disse-lhe: “Não temos, Maria, pois encontraste graça diante de Deus”.

NOTA: ― Nossa Senhora não podia ser saudada pelo Anjo como cheia de graça, se o pecado original a tivesse atingido; pecado e graça são coisas que não podem estar na mesma alma. E se Ela está cheia de graça é porque nenhuma graça, (inclusive a da pureza original) lhe falta.

Bendita entre as mulheres só pode ser também aquela mulher que, diferente de todas as demais, recebeu a graça insigne de ser preservada do pecado original.

“O Senhor é contigo” ― é uma expressão que afirma que Maria estava estritamente unida ao Senhor pela graça, portanto isenta do pecado de origem.

Por isto diz o Anjo: “Achaste graça diante de Deus”. Isto é, aquela graça que Eva perdera pelo pecado original, Maria achou pela Conceição Imaculada.

Objeção freqüente contra a Imaculada Conceição se baseia nos seguintes textos de S.Paulo:

ROM. V, 12: ― “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todo o gênero humano, “porque todos pecaram”.

Iª COR. V, 14: ― “Se um só morreu para todos, é porque todos estavam mortos (isto é, pelo pecado)”.

Daí concluem os protestantes: “Se Maria foi imaculada, por que S. Paulo diz que todo o gênero humano pecou? “Se Maria foi Imaculada ― dizem eles ainda ― então Cristo não precisou morrer por ela”.

Estas objeções denotam incompreensão do ensino da Igreja.

Todos pecaram em Adão. Pecar em Adão é ser membro da raça de Adão, é estar preso à condição de membro da cabeça deste imenso corpo cuja cabeça foi Adão ― a humanidade. Maria é desta raça, contraiu o débito do pecado ― ensinam os teólogos ― pecou em Adão, mas não contraiu a mancha deste pecado porque, no instante em que foi concebida, Deus lhe infundiu a graça santificante em virtude dos méritos de Cristo, impedindo que contraísse a mancha do pecado.

Assim Nossa Senhora foi remetida por Cristo como todos os homens. Somente os frutos desta Redenção copiosa lhe foram aplicados no instante em que Ela foi concebida. Daí o termo Imaculada Conceição.


IMAGENS

1. ― DEUS MANDOU QUE SE FIZESSEM IMAGENS

ÊX. XXV, 18: ― “Farás também dois querubins de ouro batido, nas duas extremidades do oráculo. Um Querubim os teja de um lado e outro do outro.

I PAR. XXVIII, 18: ― “E para o altar em que se queima o incenso, deu do ouro mais fino para que dele se fizesse a figura dum carro de Querubins, que estendessem as suas asas, e cobrissem a arca da aliança do Senhor. Todas estas coisas ― disse o rei ― me foram dadas escritas pela mão de Deus”.

EZEQ. XLI, 17-21: ― “Acima da porta no interior e no exterior do templo e por toda a parede em redor, tudo estava coberto de figuras (isto é, IMAGENS); Querubins e palmas, uma palma entre dois Querubins. Os Querubins tinham duas faces: uma figura humana de um lado e uma face de leão voltada para a palmeira do outro lado esculpidas em relevo em toda a volta do templo. Desde o solo até acima da porta, havia representações (isto é IMAGENS) de Querubins e palmeiras, assim como sobre a muralha do templo”.

HEBR. IX, 5: ― Descrevendo o templo do Antigo Testamento, diz: “Ai estava um altar de ouro para os perfumes e a arca da aliança... e sobre ela estavam os Querubins da glória que estendiam a sombra de suas asas sobre o propiciatório”.

NUM. XXI, 7-10: ― “O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: “Faze uma serpente de bronze (i. é, IMAGEM) e levanta-a num poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo”.

JOÃO, III, 14: ― “Assim como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, assim importa seja levantado o Filho do Homem, para que todo aquele que nÊle crer, não pereça...”
Daí se deduz que a serpente de bronze era uma imagem do próprio Redentor.

2. ― DEUS PROIBIU O “CULTO IDOLÁTRICO” DE IMAGENS

Pelos seguintes textos se vai ver que Deus proibiu foi dar culto a imagens como a Deus.

ÊXODO, XX, 4: ― “Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma do que está em cima nos céus, ou em baixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. “Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto”.

NOTE-SE: ― Deus proíbe fazer imagens do que esta nos céus ― sol, lua, estrelas; do que está na terra ― animais, homens; do que está debaixo das águas ― peixes e monstros marinhos. É que o povo recém-vindo do Egito, lá havia aprendido os costumes pagãos de fabricar tais imagens para adorá-las.

DEUTR. IV, 16-19S ― “Guardai-vos, pois de fabricar alguma imagem esculpida, representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher, representação de algum animal que viva sobre a terra ou de algum pássaro que voa nos céus, ou de um reptil que se arrasta sobre a terra, ou de um peixe que vive nas águas debaixo da terra”.

IDEM, IV, 19: ― “Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas e todo o exercito dos astros, guarda-te de te prostrares diante deles e de render culto a esses astros...”
Leia-se todo este cap. IV do Deuteronômio para se ver com clareza o que Deus proibia. O que Ele proibia era o culto idolátrico à semelhança dos pagãos.

3. ― A MALDIÇÃO DO ÍDOLO ESTÁ EM FAZER DUMA IMAGEM UM DEUS

SAB. XIV, 7-8: ― “O madeiro, do qual se faz bom uso é bendito; mas o ídolo, obra das mãos (do homem) é maldito, ele e seu autor: este, porque de fato o fabricou, e aquele, porque sendo uma coisa frágil, foi chamado deus.”

IDEM, ib. 15: ― “Penetrado um pai de dor amarga, fez a imagem de seu filho... e aquele que tinha falecido como um homem, começou a adorar como Deuses, e estabeleceu-lhe entre os seus servos cerimônias e sacrifícios”.

IS. XLII, 17: ― “Voltaram para trás, serão cobertos de confusão os que põem a sua confiança em imagens de escultura, os que dizem às estátuas de fundição: “Vós sois os nossos deuses”.

JER. XVI, 20: ― “É possível que um homem faça deuses para si, quando eles não são deuses ?”

(Ver ainda Isaias, II, 20; XLIV E XXIV).

Destes textos se vê que a proibição de Deus era de fazer imagens para adorá-las como deuses. Fazer imagens que contribuam para o culto do Deus verdadeiro, Deus mandou fazê-las, como vimos acima, imagens de Querubins e serpente de bronze.

Haja vista que a própria serpente de bronze, mais tarde, foi destruída pelo Santo Rei Ezequias, porque se transtornara em objeto do culto idólatra por parte do povo. (Cf. IV Reis, XVIII, 3-5).

Alguns esclarecimentos ainda, para se compreender melhor a proibição de fabricar imagens, consignada na Bíblia.

Ensinam os mestres da língua hebraica em que foi escrita originalmente a proibição, que o texto sagrado emprega no Êxodo, para significar “imagem”, a palavra hebraica TEMUNAH. Ora, este termo observam ― designa sempre imagens destinadas ao culto pagão, ou seja deuses.

É assim que a Bíblia usa:

TEMUNAH ― para designar o bezerro de ouro

TEMUNAH ― para designar a estátua abominada por Isaías (ls.XLIV, 9-10)

TEMUNAH ― para designar as imagens que Ezequiel viu como ídolos no templo (EZ. VIII, 10).

A mesma particularidade se observa na versão dos setenta, que usa sempre o termo EIDOLON, onde o hebraico usa TEMUNAH, deixando a palavra EIKON para significar efígies de simples decoração.

Parece que S. Jerônimo seguiu, em sua tradução, critério análogo. Reserva o termo latino SCULPTILE para traduzir ELDOLON grego e TEMUNAH hebraico.

Poderíamos, assim, concluir que a tradução portuguesa mais exata dos textos hebraicos em apreço deveria trazer a palavra ÍDOLO e não simplesmente IMAGEM como tantas vezes se encontra.


INDULGÊNCIAS

MAT. XVI, 18: ― “Eu digo que tu és Pedro... dar-te-ei as chaves do reino dos céus; tudo o que ligares sobre a terra, será ligado no céu...”

NOTA: ― O poder de conceder indulgências é derivado necessário do poder das chaves dado a Pedro.

IIª COR. II, 6-10: ― “Para este homem basta esta punição, que é dada por muito, de sorte que agora deveis de suar com ele de indulgência”.


INFERNO

MAT. III, 12: ― “Ele tem a pá na mão, limpará bem a eira, e recolherá o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível. (Ver Lucas, III, 17).

MAT. XXV, 41: ― “Então, dirá também aos que estiverem à esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e seus sequazes”.

MAT. XXV, 46: ― “E estes irão para o suplicio eterno; os justos para a vida eterna”.

MARC. IX, 43: ― “E se a tua mão te escandaliza, corta-a; melhor te é entrar na vida eterna manco, do que tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível”.

MARC. IX, 44: ― “Ali o verme (do remorso) não morre, e o fogo não se apaga”.

EPISTOLA DE S. JUDAS TADEU, 1,6: “E os anjos que não conservaram seu principado, mas abandonaram o seu domicilio, os reservou (ligados) com cadeias, em trevas, para o juízo do grande dia”.

Veja-se também Apoc. XIV, 10-11; ls XXXIII, 14; ii  Tess. 1, 7-9).


INTERCESSÃO DOS SANTOS

1. ― JÁ NESTA VIDA OS JUSTOS SÃO ATENDIDOS

JOÃO. XIV, 13-14: ― “Tudo o que pedires ao Pai em meu nome, eu vo-lo darei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.

JOÃO, XV, 7: ― “Se vos permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á feito”.

Iª JOÃO, III, 22: ― “E tudo quanto nós lhe pedirmos, receberemos dÊle, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado”.

Se as petições dos justos são atendidas já neste mundo, em virtude das promessas de Cristo, quanto mais não o serão quando feitas por justos vivendo na glória.

É, pois, valiosa a intercessão dos santos.

2. ― JÁ NESTA VIDA MUITOS SANTOS INTERCEDERAM PERANTE DEUS

JER. XI, 14: ― “Quanto a ti, não intercedas por este povo, nem ores por ele nem supliques, porque ao tempo de sua desgraça, quando clamarem por mim, eu não os escutarei”.

SAB. XVIII, 20-22: ― “É verdade que também feriu os justos uma prova de morte, e no deserto houve um levantamento da multidão; mas a tua ira não durou muito tempo, porque apressando-se um homem irrepreensível a interceder pelo povo, opôste o escudo do seu ministério, e dirigindo-te a sua oração e a sua súplica com a incenso, atalhou os progressos da tua ira e pôs fim ao flagelo, mostrando que era teu servo”.

NÚMEROS, XVII, 6 A 15, nos narra precisamente o fato a que a citação acima está aludindo: Arão intercedendo pelo povo e alcançando misericórdia.

IDEM, ib. 17: ― “Abraão intercedeu junto de Deus, que curou Abimelec sua mulher e suas servas”.

I REIS. XII, 19: ― “E Samuel clamou ao Senhor, e o Senhor enviou naquele dia trovões e chuvas. E todo o povo temeu sobremaneira o Senhor e Samuel, e todo o povo disse a Samuel: “Roga ao Senhor teu Deus pelos teus servos, para que não morramos”.

JUDITE, VIII, 29: ― Súplica de Ozias e dos Anciãos a Judite: “Agora, pois, ora por nós, porque tu és uma mulher santa e temente a Deus”.

3. ― INTERCESSÃO DOS SANTOS É ACONSELHADA POR DEUS

JO XLII, 8: ― “Tomai  sete touros... ide ao meu servo Jó... o meu servo Jó “orará por vós e admitirei propício a sua face”.

GÊN. XX, 1-8: ― Quando Abimelec quis tomar por  mulher Sara, esposa de Abraão, Deus lhe apareceu e lhe disse: “Devolve agora a mulher deste homem, que é um profeta, e ele “rogará por ti” para que conserves a vida”.

MAT. V, 44: ― “Orai pelos que vos caluniam”.

Que é isto senão interceder por eles ?

TIAGO, V, 16: ― “Orai uns pelos outros, para serdes salvos, porque a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito”.

4. ― OS ANJOS INTERCEDEM E SÃO ATENDIDOS

ZACARIAS, I, 12-13: ― “O Anjo do Senhor, disse: “Senhor dos exércitos ! Até quando ficareis insensível à sorte de Jerusalém e das cidades de Judá? Eis já setenta anos que estais irritado contra elas!”

O Senhor respondeu ao Anjo que lhe falava, e disse-lhe boas palavras, cheias de consolação”.

5. ― OS SANTOS NO CÉU TORNAM-SE NOSSOS INTERCESSORES

LUC. XVI, 9: ― “Portanto, eu vos digo: “Grangeai amigos com as riquezas da iniquidade para que, quando vierdes a precisar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos”.

Que é isto senão tornarem-se os santos intercessores por nós no céu?

ATOS, V, 3: ― “E tendo aberto o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um cítaras e taças de ouro, cheias de perfume, que são as orações dos santos”.


IRMÃOS DE JESUS

1. ― NA ESCRITURA CHAMAM-SE IRMÃOS TAMBÉM OS PARENTES PRÓXIMOS

GEN. XIII, 8: ― “Abraão disse a Lot: ”Rogo-te que não haja discórdia entre mim ti, nem entre nossos pastores, pois “somos irmãos”.

IDEM, XIV, 14: ― “Abrão, tendo ouvido que Lot. “seu irmão”, ficara prisioneiro...”

IDEM, XII, 4-5: ― “Tinha Abrão 75 anos quando saiu de Harã. E ele levou consigo Sara sua mulher, “e Lot, filho de seu irmão”, e todos os bens que possuía”.

NOTE-SE nestes textos paralelos: Lot é filho do irmão de Abraão; entretanto Abraão o chama de irmão.

GEN XXIX, 13: ― “Tendo Labão ouvido falar de Jacó, filho de sua irmã, correu a seu encontro, abraçou-o e o conduziu à sua casa”.

IDEM, ib.: Jacó ficou em casa dele (Labão) um mês inteiro. E Labão disse-lhe: Acaso, “porque és meu irmão, servir-me-ás de graça?”

NOTE-SE de novo: Jacó é filho da irmã de Labão; no entanto, este o chama de irmão.

LEV. X, I: ― “Ora, Nadab e Abind filhos de Arão”, tendo oferecido diante do Senhor um fogo estranho... morreram diante do Senhor”.

IDEM, ib. 4: “E Moisés, chamando Misael e Elisafan filhos de Oziel, tio de Arão, disse-lhes: “Ide, e tirai “vossos irmãos” diante do santuário e levai-os para fora dos acampamentos”.

NOTE-SE novamente: Moisés chama de irmãos dos filhos de Oziel os filhos de Arão, que eram sobrinhos de Oziel.

I PARAL. XXIII, 22: ― “Elcazai morreu, e não deixou filhos, mas filhas; e estas casaram-se com os filhos de Cis seus irmãos”.

Aí se vê que a Bíblia chama de irmãos os primos das filhas de Eleaser.

TOBIAS, VIII, 9: ― “Ora, tu sabes, Senhor, que não é por motivo de paixão que eu amo “esta minha irmã para esposa”.
Vê-se que Tobias chama sua esposa de irmã. Ela era sua prima segunda, pois Raquel, pai dela, era primo de Tobias o velho: “E pondo Raquel os olhos em Tobias, disse para Ana, sua mulher: “Como este jovem é parecido com meu primo” ― (Tob.Vii, 2).

E no mesmo capítulo, Raquel chama ao velho Tobias de irmão.
“E Raguel disse-lhes: “Conheceis meu irmão Tobias ?” (ib.v4)

Está, pois, claro que entre os hebreus chamava-se irmãos todos os parente próximos.

2. ― OS QUE O EVANGELHO CHAMA “IRMÃOS DO SENHOR” SÃO SEUS PRIMOS, OU PARENTES PRÓXIMOS

MAT. XIII, 55-56: ― “Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua Mãe Maria e “seus irmãos” Tiago e José e Simão e Judas ? E “suas irmãs” não vivem elas todas entre nós?”

Ver também Marc. VI, 3.

MAT. XXVII, 56: ― “Entre elas (as mulheres que se achavam ao pé da cruz) estavam Maria Madalena, e “Maria, mãe de Tiago e José”, e a mãe dos filhos de Zebedeu”.

MAR. XV, 40: ― “E encontravam-se também ali algumas mulheres vindas de longe, entre as quais estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago Menor e Salomé”.

Por estes textos acima, se vê que Tiago e José  são filhos de outra Maria que não a Mãe de Jesus.

JOÃO, XIX, 25: ― “Entretanto, estavam de pé junto à cruz de Jesus: sua Mãe e a “irmã de sua Mãe”. Maria, “mulher de Cléofas”, e Maria Madalena.

Por este novo texto se vê que Tiago e José  são filhos da mulher de Cléofas, Maria, que é irmã da Mãe de Jesus. Tiago e José são, portanto, primos de Jesus. E segundo a praxe dos hebreus, eram chamados irmãos de Jesus.

EP. DE S. JUDAS TADEU: ― 1,1: ― “Judas, servo de Jesus Cristo, e “irmão de Tiago”... etc.

LUC. VI, 15: ― “Mateus, Tomé, Tiago filho de Alfeu, Simão, chamado Zelador, Judas, irmão de Tiago...”.

Pelos dois últimos textos se vê que “Judas é irmão de Tiago”.

Por isto, talvez, é enumerado entre os Apóstolos logo depois de Tiago, filho de Alfeu, assim como João é enumerado logo depois  de Tiago, filho de Zebedeu, de quem era irmão.

(Cf. Ma. X, 2 segs e Marc. III, 13 e segs).

De tudo isto aparece claro que dos irmãos de Jesus assim chamados por Mateus, (XIII, 55 e 56) e Marcos (VI, 3), Tiago e José  são filhos da mulher de Cléofas, que se chama  Cléofas, que se chama Maria, irmã da Mãe de Jesus, e que Judas se dá por irmão de Tiago, que é filho de Alfeu. Seja que Judas se intitule irmão e é simplesmente primo, ou que Alfeu é o mesmo Cléofas e, portanto, são na verdade irmãos, de qualquer forma os três ― José, Tiago e Judas ― não são irmãos de Jesus, mas simplesmente seus primos.

Sós resta o nome de Simão, cuja família não se pode descobrir através do Evangelho. Mas é claro: se ele vem mencionado como irmão de Jesus juntamente com os três outros, que são primos, é porque ele também é somente primo do Senhor.

Leia-se para maiores esclarecimentos PE. JÚLIO MARIA ― “Luz nas Trevas” ― cap. XI e DAYL D’ALMEIDA ― “Irmãos de Jesus - ED. “O  LUTADOR “, Campos.


JEJUM

(Vide “Obras Boas”)

Os nossos amigos protestantes, dizem-se presunçosamente, SALVOS. Só por isto já negam o valor da penitência e das boas obras, que Jesus tanto louvou e inculcou a seus discípulos. Esta doutrina está, como nenhuma outra, exposta claramente no Evangelho e em todo o Novo Testamento

1. ― O JEJUM É RECOMENDADO NA SAGRADA ESCRITURA

JOEL, II, 12: ― “Agora, pois, diz o Senhor, convertei-vos a mim de todo o coração com jejuns, com lágrimas e com gemidos”.

I ESDRAS, VIII, 23: - “Nós, pois, com este fim jejuamos, fizemos oração ao nosso Deus, e tudo nos sucedeu prosperamente”.

II ESDRAS, 1, 4: ― “Quando ouvi estas palavras, sentei-me, e chorei e derramei lágrimas durante muitos dias, e jejuava e orava na presença do Deus do céu”.

TOBIAS, XII, 8: ― “É bom a oração acompanhada do jejum, e dar esmola vale mais do que ajuntar tesouros em ouro”.

DANIEL, X, 3: ― “Eu, Daniel, não comi pão agradável ao gosto, nem carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com perfume algum, até que se completassem os dias dessas três semanas”.

ATOS, X, 4: ― “As tuas orações e as tuas esmolas subiram com um  memorial à presença de Deus”.

JONAS, III, 5: ― “E os ninivitas  creram em Deus e ordenaram um jejum em público, e vestiram-se de saco desde o menor até o maior”

JONAS, III, 10: ― “E Deus viu as suas obras (de penitência), e como se converteram do seu  mau caminho, e compadeceu-se deles”. (Leia-se todo o cap. III).

2. ― O JEJUM É EFICAZ CONTRA O DEMÔNIO

MARCOS, IX, 28: ― “E Ele lhes disse: Esta casta de demônios não se expele senão mediante oração e jejum”.

3. - O JEJUM DEVE SER OBSERVADO POR TODOS OS CRISTÃOS

MAT. IX, 15: ― “Mas virão os dias em que  lhes será tirado o esposo, e então jejuarão”. (Vide Marc. II, e Lucas, V, 35).

AT. XIII, 2: ― “E quando eles se entregavam ao serviço do Senhor e jejuavam, disse-lhes o Espírito Santo: Separar-me Paulo e Barnabé para a obra a que os destinei”.

ATOS, XIII, 3: ― “E então, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e os despediram”.

ATOS, XIV, 22: ― “Por fim, tendo ordenado para cada Igreja sacerdotes, depois de terem feito orações e jejuando, encomendaram-nos ao Senhor”.

IIª COR VI, 4: ― “Em todas as coisas nos  mostramos ministros  de Deus, com muita paciência nas tribulações, nas necessidades, nas angústias”.

IIª COR. VI, 5: ― “Nos açoites, nos cárceres, nas sedições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, com castidade, com ciência, com longanimidade”, etc.

IIª COR. XI, 27: ― “No trabalho, na fadiga, em muitas vigílias, na fome, na sede, no frio, na nudez...” (Ler todo este capítulo).

MAT. IV, 2: ― “E tendo (Jesus) jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome/’.

MAT. III, 4: ― “Ora, o mesmo João tinha um vestido de peles de camelo e uma cinta de couro cingindo os rins; e a sua comida eram gafanhotos e mel silvestre”.
(Vide Marcos, II, 20).

NOTE-SE que Nosso Senhor não tinha absolutamente, necessidade de jejuar, se isto fez, foi para dar-nos o exemplo. São João Batista fez JEJUNS prolongados no fundo do deserto, e “sua comida eram gafanhotos e mel Silvestre”.

Por que, pois, os protestantes protestam contra o jejum da Igreja Católica, admitem o mesmo ciclo quaresmal da Igreja Católica, mas não lhe admitem o jejum?


MÃE DE DEUS

Querem os protestantes que Nossa Senhora foi Mãe somente de Jesus-Homem. É um contra-senso, pois em Cristo Jesus existe uma só pessoa ― a Pessoa Divina  do Verbo feito Homem. Quem gera esta pessoa feita Homem é, portanto, Mãe de Deus.

LUC. I, 35: ― “O Espirito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e, por  isso, o Santo que nascerá de ti chamar-se-á Filho de Deus”.

LUC. I, 41 E 43: ― “E Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra que venha à minha casa “a Mãe de meu Senhor ?”

GAL., IV, 4: ― “Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da mulher, nascido sob a lei”.

Inegável que tanto o Anjo, como Isabel inspirada pelo Espírito, e bem asseim São Paulo, afirmam que o Filho de Nossa Senhora é o “Filho de Deus” e que Ela é a “Mãe do Senhor”, isto é, Mãe de Deus.


MEDIAÇÃO DE MARIA

Iª TIM, II, 5: ― “Porque há um só Deus e um só MEDIADOR entre Deus e os homens: JESUS CRISTO HOMEM, que se deu em resgate  por todos”.

NOTA: ― Este texto, com que os protestantes querem contraditar a mediação de Maria serve antes para prová-la de modo mais teológico. S. Paulo acentua que o único Mediador é Jesus Cristo-Homem, o que quer dizer: não é o Verbo, mas o Verbo feito homem por Maria. Nossa Senhora se torna, assim, Medianeira, precisamente porque, mediante Ela, Cristo se tornou Mediador (1)

(1) Conf. a respeito: PE ANTÔNIO MIRANDA, S.D.N. - “Nossa Senhora das Graças” - Ed. “LUZES”, p.87 e segs.

MAT. I, 16: ― “Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo”.

NOTA: ― Se Cristo, que é o único Mediador, nasceu de Maria, Ela se tornou, por isto, Medianeira secundária, entre Deus e os homens, mediante a qual nos veio Cristo

LUC. I, 41: ― “E aconteceu que, tão logo ouviu Isabel a saudação de Maria, exultou o menino em seu  seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.

NOTA: ― Eis como Leão XIII interpreta este texto: “João é santificado no seio materno... e isto lhe advém da saudação de Maria, que, por divina inspiração, veio visitar sua prima”. (Enc. Jucunda semper, de 8-9-1894).

JOÃO, II, 1-13: ― Este tópico nos narra como Jesus operou o seu primeiro milagre mediante a intercessão de Maria, e isto apesar de ainda não ter chegado a hora de Jesus os inicia. (v.4).

V. II: ― “Por este modo operou Jesus o seu primeiro milagre... e manifestou a sua gloria e creram nele os seus discípulos”.

Vê-se que foi mediante Maria que “seus discípulos creram nele”. Sem dúvida, isto veio primeiramente da graça gratuita de Cristo. Mas a intercessão de Maria foi um meio acessório de Deus dispensar sua graça gratuita. Deus quis, pois, Maria como Medianeira.


MISSA

(Ver “Eucaristia” e “Comunhão”)

1. ― O SACRIFÍCIO DA MISSA FOI PREFIGURADO MUITOS SÉCULOS ANTES

Os sacrifícios antigos eram figura do Sacrifício do Calvário continuado misticamente sobre nossos altares. Melquisedec, oferecendo pão e vinho, figurou o Santo Sacrifício da Missa.

GÊN. XIV, 18-19: ― “Mas Melquisedec, Rei de Salém, trazendo pão e vinho, porque era Sacerdote do Deus Altíssimo, o abençoou e disse-lhe: “Bendito seja Abraão, pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra”.

2. ― ESTE SACRIFÍCIO FOI PREDITO POR MALAQUIAS

MALAQUIAS, I, 10-12: ― “Quem há entre vós que feche as portas e acenda o lume sobre o meu altar gratuitamente ? O meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos Exércitos; nem eu aceitarei oferenda alguma de vossas mãos, porque desde o nascer até o pôr do sol, o meu  nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura...”
Que claridade meridiana nas palavras do vidente divino!

Notem lá os protestantes esta visão, comparando-a com a visão eucarística de hoje, desde o nascer até o por do sol, sobre todos os altares da terra! Vemos que Deus repudia os sacrifícios antigos para receber um novo sacrifício, uma oblação pura. Qual é esta oblação, hoje existente, senão aquela feita uma vez por Jesus Cristo, e por Ele ordenada fosse reproduzida todos os dias “do nascente ao poente do sol”, para perpetuação de seu Sacrifício no Calvário ? “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim”. (Mat. XXVI, 28; Lucas, XXII, 19).

3. ― FOI CELEBRADO PELO PRÓPRIO JESUS CRISTO

LUCAS, XXII, 19: ―  “E depois de tomar o pão, deu graças e partiu, e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim”.

LUCAS, XXII, 20: ― “Da mesma sorte, tomou o cálice... dizendo: “Este CÁLICE É O NOVO TESTAMENTO EM MEU SANGUE, que será derramado por  vós”.

4. ― É ATESTADO POR S. PAULO, APÓSTOLO

Iª COR. X,16: ― “Porventura, o cálice da benção que nós benzemos não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é a participação do Corpo do Senhor?

Iª COR. X, 21: ― “Não podeis ser participantes da mesa do Senhor (da Comunhão) e da mesa dos demônio” (comendo das carnes sacrificadas aos ídolos pagãos).

HEBR. XIII, 10: ― “Nós (os cristãos) temos  um altar do qual os (sacerdotes judeus) que servem ao tabernáculo, não tem faculdade de comer”.

Perguntemos aos protestantes se eles tem um Altar como nós, se tem uma vítima e uma “oblação pura” como a Hóstia sagrada que oferecemos a Deus, todos os dias, “do nascente ao por do sol”. Se quiserem negar a presença real de Cristo, citemos S. Paulo: "O Pão que partimos não é, porventura, a participação do corpo do Senhor?"


ORAÇÃO PELOS MORTOS

TOB. IV, 18: ― “Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo e nem comas nem bebas com os pecadores”.

ECLESIÁSTICO. VII, 37: ― “A benemerência é agradável a todos os vivos. E não impeças que ela se estenda também aos mortos”.

II MAC. XII, 43: ― “E tendo (Judas Macabeu) feito uma coleta, mandou doze mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidos sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente da ressurreição, (porque se ele não esperasse que os que tinham sido mortos haviam de ressuscitar, teria  por causa vã e supérflua orar pelos defuntos) e por que ele considerava que aos defuntos estava reservada uma grande misericórdia”.

“É um santo e salutar  pensamento ora pelos mortos para que sejam livres de seus pecados”.

NOTE-SE: ― Este texto do II Livro do Macabeus nos mostra claramente existir um mistério de expiação (um purgatório) na vida futura. Como descrêem disto os protestantes ?


ORDENS SACRAS

1. SÃO DE INSTITUIÇÃO DIVINA

As ordens sagradas, existentes na Igreja Católica, são de instituição divina, isto é, foram instituídas pelo próprio Jesus Cristo, que ordenou sacerdotes aos seus Apóstolos; estes, por sua vez, ordenaram a outros que os sucedessem no ministério sagrado.

LUC. XXII, 19: ― “E depois de tomar o pão, deu graças, e o partiu, e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo que é dado por vós; FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”.

“FAZEI ISTO” ― nestas palavras está a ORDEM dada pelo próprio Salvador, no momento solene da Santa Ceia, quando ainda instituiu a Sagrada Eucaristia.

JOÃO, XX, 22-23 ― “Tendo dito estas palavras, SOPROU sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem vós perdoastes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

“Soprou sobre ele” ― eis ai a comunicação do Espírito Santo aos Apóstolos, conferindo-lhes o poder de perdoar; portanto, um poder sacramental.

2. ― AS ORDENS EXISTENTES NA IGREJA SÃO CONFERIDAS PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

ATOS, VI, 6: ― “Apresentaram-nos diante dos Apóstolos, e estes, depois de terem orado, impuseram-lhes as mãos”.

ATOS, XIII, 3: ― “Então, depois de jejuarem e orarem, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos”.

ATOS, XIV, 22: ― “Por fim tendo ORDENADO para cada Igreja sacerdotes, depois de terem feito oração e jejum...”

Iª TIM, IV, 14: ― “Não desprezes a graça que há em ti, a qual te foi dada pela imposição das mãos dos presbíteros”.

NOTA: ― Esta imposição das mãos confere a graça, logo é  um sacramento especial, diferente dos outros.

IIª TIM, 1,6: ― “Por este motivo de admoesto a que reanimes a graça de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos”.

TITO, 1,5: ― “Deixei-te em Creta para que regules a falta e estabeleças presbíteros nas cidades segundo as prescrições que te dei”.


PEDRO, PRIMEIRO PAPA

1. O PAPA, BISPO E CHEFE DOS OUTROS BISPOS

Jesus prediz a Simão que seu nome será mudado em CEFAS (Pedro ou Pedra), porque será escolhido como a pedra fundamental da Igreja divina:

JOÃO, I, 42: ― Jesus, olhando-o, disse: “Tu és Simão, filho de Jonas; tu  serás chamado CEFAS, que quer dizer Pedro” (ou Pedra) para servir de fundamento e alicerce de minha Igreja.

2. ― JESUS CUMPRE A SUA PREDIÇÃO

MAT. XVI, 13 e ss.: ― “E veio Jesus para as bandas de Cesaréia de Filipe interrogou os seus discípulos, dizendo: Que dizem os homens acerca do Filho do Homem ? E eles responderam: uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, e outros que é Jeremias ou algum dos profetas. Disse-lhes Jesus: É vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo o Filho de Deus vivo ! E respondendo Jesus, lhe disse: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que to revelou, mas sim, meu Pai que está nos céus. E eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra, será desligado nos céus”.

LUC.XXII, 31-32: ― “Disse mais o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou com instância para vos joeirar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não falte. E tu, uma vez convertido, (da negação que virá durante a paixão) confirma os teus irmãos”.

NOTA: ― Jesus orou pelo Papa (Pedro) para confirmá-lo na fé: Sua oração é infalível e onipotente. Logo, realizou o pedido, feito em favor do Papa: Ele não pode faltar à fé.

Passados os dias dolorosos da paixão e morte de Jesus, tendo Pedro negado covardemente o seu divino Mestre (e foi quando Satanás tentou joeirar a Igreja), tendo-se destarte, cumprido a predição de Jesus, o Senhor aparece, a Pedro, às margens do Tiberíades.

JOÃO, XXI, 15-18: ― “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, tu me  amas mais do que estes? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros”. Perguntou-lhe segunda vez: “Simão, filho de João, tu me amas ? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu  sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta os meus cordeiros”.

Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, tu me amas ? Pedro ficou triste, porque pela terceira vez lhe perguntara: Tu me amas ? e respondeu-lhe: Senhor, tu conheces tudo, tu  sabes que eu  te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas”.

Por este texto se vê que Nosso Senhor manda S. Pedro apascentar CORDEIROS  (duas vezes) e OVELHAS distintamente. Que é isto senão o mesmo que nomeá-lo PASTOR dos cordeiros e das ovelhas, que por natureza conduzem os cordeiros? Eis porque nesta metáfora a Igreja Católica entende na palavra cordeiros, duas vezes repetida, o rebanho dos fieis e dos clérigos, e na palavra ovelha, os Bispos que são condutores dos clérigos e dos fiéis.

3. ― PEDRO, PRIMEIRO PAPA, FIXOU RESIDÊNCIA EM ROMA

ATOS, XII, 17: ― “Em seguida (Pedro depõe de libertado da perseguição de (Herodes), saiu daí (de Jerusalém) e retirou-se “para outro lugar”.

Qual é este outro lugar para onde S. Pedro se retirou, o Autor dos Atos não o diz, devido à época de perseguição que a Igreja atravessava. Convinha que ficasse oculto o Pastor Supremo, e não se expusesse à perseguição.
O outro lugar para onde ele foi, certamente é Antioquia.

ATOS, XV, 4 e 7 ― Vemos, neste texto, que se reúne um Concílio em Jerusalém , e Pedro, de novo, está presente, e é quem decide a questão.

Depois disto, os Atos se ocupam exclusivamente das atividades de Paulo e não mais se referem a Pedro.

Mas existe uma tradição histórica segura que prova ter Pedro se estabelecido em Roma. E esta tradição é confirmada por um texto, embora não inteligível à primeira vista, da Iª Epístola de S. Pedro.

Iª PED. V, 13: ― “A Igreja eleita de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho”.

Esta Igreja eleita de Babilônia” ― concordam os intérpretes ― é Roma. Pois a antiga Babilônia não mais existia.

Era com o designativo de Babilônia que os cristãos perseguidos designavam a cidade pagã de Roma. S. Pedro, escrevendo desta cidade, afim de se ocultar aos profanos, designa a Igreja que chefia, com o nome só conhecido talvez a seus leitores.

Assim explicado, este tópico nos prova, escriturísticamente, a estadia de Pedro em Roma. E eis porque ele chama a esta Igreja de eleita porque Pedro a escolhera para “mãe de todas as demais Igrejas”.

Outra prova de que Babilônia ai designa Roma, é que Pedro menciona Marcos, “seu  filho”. E este Marcos esteve também em Roma, pois S. Paulo daí escrevendo aos Colossenses, e a Filêmon, envia saudações em nome dele para todos os fiéis de Colossos e da casa de Filêmon:

COL. IV, 10: ― “Saúdo-vos Aristarco meu companheiro de prisão, e Marcos primo de Barnabé”...

FILÊMON, 23 E 24: “Epaíras meu companheiro de prisão em Cristo Jesus te saúda. “Também Marcos” Aristarco Demas e Lucas, meus colaboradores”.

Destarde, é escriturísticamente provado que S. Pedro foi PAPA EM ROMA.


PURGATÓRIO

Purgatório é um estado médio entre o céu  e o inferno, onde as almas expiarão suas culpas leves e as conseqüências dos pecados mortais já perdoados nesta vida. Os hereges negam a sua existência.

APOC. XXI, 27: ― “Nela (na Jerusalém celeste) não entrará coisa alguma contaminada ou quem cometa abominação e mentira, mas somente aqueles que estão escritos no livro da vida do Cordeiro”.

Ora, por mais puro que seja o homem neste mundo, sempre ele terá máculas contraídas em sua natureza viciada, já que “o justo cai sete vezes”. Condená-lo ao inferno por ter pequenas fraquezas não o quer a bondade de Deus. Dar-lhe logo o céu, obsta-o a infinita pureza do Senhor.

Logo, é necessária uma expiação ou  purgação na outra vida, num estado denominado Purgatório.

MAT. V, 25-26: ― “Acomoda-te sem demora com teu adversário, enquanto estás em caminho (enquanto vives) com ele, para que não suceda que este adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro, e sejas posto na prisão. Pois na verdade te digo: Não sairás dali até que pagues o último ceitil”.

NOTE-SE que aqui não se trata do inferno, donde não se pode cair; nem do céu, lugar de gozo, e não de expiação; mas do purgatório, único lugar onde se deve expiar “até pagar o último ceitil” das faltas leves cometidas nesta vida terrena.

MAT. XII, 32: ― Todo o que falar palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado. Mas o que disser contra o Espírito Santo, não lhe  será perdoado neste século nem no futuro”.

NOTA: ― Por esta expressão: “não lhe será perdoada nem neste século nem no futuro”, vemos que há pecados perdoáveis também no século futuro, isto é, no outro mundo. Este lugar, no outro mundo, chama-se purgatório.

Iª COR. 11-16: ― “Quanto ao fundamento, ninguém pode por outro fundamento senão o que foi posto: Cristo Jesus. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com  madeira, com feno, ou com palha, manifestar-se-á a obra de cada um. O dia  (do juízo) demonstrálo-a. Será revelado “pelo fogo” e o “fogo provará” o que vale o trabalho de cada um. Se a obra construída subsistir, o construtor receberá a recompensa. Se a obra de alguém se extinguir, sofrerá a perda. Ele mesmo, porém, “será salvo, mas passando de qualquer maneira através do fogo”.

O Apóstolo afirma, pois, que alguns, ainda que construindo sua vida sobre Cristo, entretanto a constroem com obras imperfeitas (palha, feno). Serão salvos, mas deverão passar pelo fogo. É o que ensina a Igreja Católica: muitos se salvam, mas devido às suas imperfeições deverão “passar pelo fogo” antes de entrarem no céu.


RELÍQUIAS

Relíquias milagrosas são objetos santificados pelo contato dos servos de Deus e deixados aos cristãos neste mundo.
Não raro, operam grandes milagres.

Este culto é tão antigo quanto o Evangelho e a Igreja.

MAT. IX, 20: ― “Eis que uma mulher que havia doze anos padecia de um fluxo de sangue se achegou por detrás dele (de Jesus) e tocou a fímbria do seu vestido...

E, voltando-se Jesus, disse: Tem confiança, filha, a tua fé te salvou. E ficou sã a mulher, desde aquela hora”.

MAT. XIV, 36: ― “...E lhe apresentaram todos os que padeciam algum mal: rogando-lhe que os deixasse tocar sequer a orla do seu vestido. E todos os que à tocaram, ficaram sãos”.

ATOS, V, 15: ― “De  maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e padiolas, afim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles”.

ATOS, XIX, 11-12: ― “Deus fazia milagres não vulgares pelas mãos de Paulo, de sorte que até sendo aplicados aos enfermos lenços e aventais que tinham tocado em seu corpo, não só saiam deles as doenças, mas também os espíritos maus”.

NOTA: ― Ainda hoje, objetos tocados nos santos, continuam operando os mesmos milagres que no tempo de S. Paulo, as relíquias de Sta. Teresinha, de Frei Fabiano, etc. Isto prova a santidade de vida daqueles que as deixaram e a santidade da Fé que praticaram.


VESTES SACERDOTAIS

ÊXODO, XXXIX, 1: ― “Depois fez de púrpura e escarlate e de linho fino as vestes com que devia ser revestido Arão quando ministrava no Santuário, como o Senhor ordenou a Moisés”.

IDEM, ib, v.25: ― “Fizeram também para Arão e seus filhos as túnicas tecidas de linho fino e as mitras de linho fino...”etc.

IDEM, ib, v. 41: ― “E também as vestes, de que usam no santuário os sacerdotes... ofereceram-na os filhos de Israel conforme o Senhor tinha mandado”.

NOTA: ― Por estes textos se vê que Deus queria, no Antigo Testamento, o esplendor das vestes litúrgicas. As vestes sacerdotais são, assim, perfeitamente conformes à doutrina da Escritura.


VIRGEM MARIA

IS. VII, 14: ― “Por  isto, o próprio Senhor  vos dará um sinal: Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel”.
LUC. I, 26 e segs.: ― “Foi o Anjo Gabriel enviado por Deus... a uma Virgem desposada... e o nome da Virgem era Maria”.

LUC. I, 34-35: ― “Maria perguntou ao Anjo: “Como se fará isto? Pois eu não conheço varão”. Respondeu-lhe o Anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti e o Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”.

MAT. I, 18: ― “Estava Maria, sua Mãe, desposada com José; e antes de conviverem, “Maria achou-se grávida por obra do Espírito Santo”.

NOTA: ―  Estes textos mostram insofismavelmente que Maria Sma. concebeu seu divino Filho, ficando intacta sua virgindade. Seu parto, com o fato de Ela conceber um filho, foi um prodígio, dia Isaias, e foi por obra do Espírito Santo, como assegura o Evangelho.

A pergunta que Maria fez ao Anjo ― “Como se fará isto, pois eu não conheço varão?” ― indica que Nossa Senhora tinha propósito de guardar virgindade, apesar de já estar desposada. Porquanto, se não tivesse feito este propósito, não havia por onde perguntar ao Anjo como sucederia a concepção de um filho, de vez que ela estava desposada. Dizer, pois: ― “não conheço varão” ― equivale  a  dizer: ― “Tenho propósito de ser virgem, apesar de estar desposada”.

A virgindade, pois, anterior ao parto de Maria, seguiu-se a virgindade posterior, e Ela foi sempre Virgem.


Pe. Antônio Miranda, S. D. N.
Manhumirim, 1960